04/Aug/2025
A elevação da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%, válida a partir de sexta-feira (1º/08), deve provocar mudanças no mercado de combustíveis, com impactos relevantes na Região Nordeste. A consultoria Argus estimou que as importações de etanol podem dobrar de 25 milhões de litros para até 50 milhões de litros ao mês, principalmente para suprir o déficit da região, que deve crescer com a maior demanda decorrente das novas regras. O aumento da demanda por etanol anidro na Região Nordeste pode atingir 14% em 2025, totalizando cerca de 2,46 bilhões de litros, resultado do crescimento do consumo de gasolina e da maior mistura obrigatória.
Embora a safra de cana-de-açúcar da região deva crescer 3,6%, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção local estimada de etanol anidro é de 1,26 bilhão de litros para o ano, levando a um déficit projetado de 1,2 bilhão de litros, um aumento significativo frente aos 945 milhões de litros registrados em 2024. A Região Nordeste não tem capacidade de aumentar produção a curto prazo. Com isso, para atender à demanda adicional, o produto terá que vir de outras regiões, seja o etanol de milho da Região Centro-Oeste, seja importações.
A diferença de preços reforça esse movimento: o preço do etanol anidro em Suape (PE) está em R$ 3,54 por litro, enquanto o etanol importado dos Estados Unidos, sem alíquota, pode chegar a R$ 3,23 por litro. Com a tarifa de importação de 18%, o preço sobe para cerca de R$ 3,79 por litro, o que pode limitar o volume importado, a depender da capacidade das empresas de acessar mecanismos de isenção como o drawback, regime aduaneiro especial que isenta tributos sobre insumos importados, desde que eles sejam usados na produção de bens exportados. Atualmente, as importações vêm principalmente do Paraguai (isento de tarifa por ser integrante do Mercosul) e dos Estados Unidos.
Algumas operações norte-americanas têm utilizado o drawback para importação, viabilizando custos menores. Além do desafio da oferta, o cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos adiciona pressão sobre o mercado na região. A Região Nordeste é grande exportadora de açúcar para os Estados Unidos dentro de cotas preferenciais e está inserido na disputa tarifária que envolve açúcar e etanol. Se os Estados Unidos fecharem a porta para o açúcar do Nordeste, o impacto será ainda maior para a região, que já sofre com a pressão do etanol de milho e das importações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.