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16/Jun/2025

Petróleo dispara com as tensões no Oriente Médio

O aumento das tensões no Oriente Médio após o ataque de Israel ao Irã elevou a defasagem nos preços da gasolina e do diesel no Brasil, comparado ao mercado internacional. No caso do diesel, a diferença de preços atingiu dois dígitos, em média de 11% nas refinarias da Petrobras e de 10% se considerada a Refinaria de Mataripe, na Bahia, da Acelen. Em alguns polos de importação (Suape, Paulínia e Araucária), a diferença entre o preço externo e o interno chegou a 12% nas refinarias da estatal. A disparada de preços fora do País abre espaço para uma alta de R$ 0,34 por litro no preço do diesel pela Petrobras, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O câmbio também está em alta, e ajuda a impulsionar o preço doméstico dos produtos importados. A gasolina registra defasagem de 6%, uma diferença de R$ 0,16 por litro em relação ao Golfo do México, usado como parâmetro pelos importadores brasileiros.

Com o agravamento do cenário, que levou o petróleo a disparar, ultrapassando os US$ 70,00 por barril, as janelas de importação voltaram a se fechar. Esse movimento acelerado nos preços reflete um aumento expressivo nos prêmios de risco de oferta no Oriente Médio. Ataques israelenses contra o Irã provocaram uma forte reação do mercado, diante da possibilidade de danos à infraestrutura produtiva e logística na região. O mercado segue bastante apreensivo com possíveis interrupções no fluxo de petróleo no Oriente Médio, avalia a StoneX. A Petrobras reduziu o preço da gasolina em R$ 0,17 por litro nas suas refinarias no dia 3 de junho, enquanto o valor do diesel caiu em R$ 0,16 por litro em 6 de maio. A Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia, com 14% do mercado, reajusta seus preços semanalmente.

O Rabobank avalia que os ataques de Israel ao Irã expõem riscos mais amplos ao fornecimento de petróleo bruto e gás natural da região, apesar da rápida reversão do avanço inicial dos preços em ambos os mercados. Os mercados devem sempre levar em conta os riscos geopolíticos. Se o fornecimento de petróleo bruto, produtos refinados e/ou GNL de produtores-chave como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar for restringido por meio de ataques diretos à infraestrutura energética ou pelo fechamento do Estreito de Ormuz, os picos de preço poderão ser rompidos e se manter acima da marca de US$ 120,00 por barril para o petróleo bruto e 100,00 euros/Mwh para o gás natural (TTF). Se a infraestrutura de petróleo, gás, transporte marítimo ou de refino da Arábia Saudita se tornar um alvo e for destruída, os preços do petróleo podem subir acima de US$ 120,00 por barril, e irem até mais longe, como US$ 150,00 por barril em um movimento inicial de pânico de compras.

No entanto, se o conflito permanecer ‘contido’, os mercados de energia se reajustarão rapidamente. O Estreito de Ormuz é um importante ponto de estrangulamento para o mercado global de energia. O Estreito é um ponto de trânsito para 17% dos fluxos mundiais de petróleo (cerca de 17 milhões de barris por dia) e navios petroleiros do Kuwait, Iraque, Bahrein e Arábia Saudita. Além disso, Qatar, Omã e Emirados Árabes Unidos operam cerca de 98 milhões de toneladas de capacidade de exportação de GNL, cerca de 18% do fornecimento mundial de GNL, com a maior parte desses volumes também transitando pelo Estreito. O Estreito de Ormuz nunca foi totalmente fechado, mesmo na Guerra de 1984, na qual Irã e Iraque destruíam rotineiramente os petroleiros um do outro.

Autoridades marítimas da Grécia e do Reino Unido aconselharam navios mercantes a evitarem o Estreito de Ormuz após o ataque de Israel a instalações nucleares e prédios residenciais do Irã, embora o corredor de petróleo permaneça aberto por enquanto. No passado, o Irã já ameaçou fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. Qualquer ação que restrinja o comércio de petróleo tende a elevar os preços da commodity, e a simples percepção de ameaça à navegação já foi suficiente para fazer o Brent subir cerca de 7%. A Combined Maritime Force, uma coalizão naval composta por 46 nações e liderada pelos Estados Unidos, afirmou que as travessias pelo estreito, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, ainda não foram afetadas. O Estreito de Ormuz permanece aberto, e o tráfego comercial continua fluindo sem interrupções. Os últimos acontecimentos elevaram de forma “significativa” o risco de um conflito regional.

Armadores gregos controlam mais de um quarto da frota mundial de petroleiros. O governo grego pediu que os armadores informem com urgência ao Ministério da Marinha Mercante os navios que atualmente estão localizados no Golfo Pérsico, além de recomendar que eles evitem a região. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto e derivados transitam, em média, diariamente pelo Estreito de Ormuz. O Estreito de Ormuz é uma via aquática crítica e sem alternativa para o comércio de petroleiros. Qualquer impedimento ou ameaça à livre movimentação de navios teria um efeito significativo na economia mundial, afirmou a associação comercial Intertanko. Navios com bandeiras britânicas foram aconselhados pelo governo a evitar também o sul do Mar Vermelho e o Golfo de Áden. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.