06/Jun/2025
O avanço dos carros importados voltou a pautar a coletiva mensal da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil. Enquanto as compras de veículos novos cresceram 8,1% ante abril, a produção das montadoras recuou 5,9%, indicando assim que o mercado continua sendo "capturado" por modelos importados, em especial da China. Mais da metade (54%) do crescimento do mercado neste ano, de 6,1%, veio do consumo de carros importados. As vendas de veículos importados subiram 19,1% desde janeiro, chegando a 19,2% do total, enquanto as de nacionais tiveram crescimento bem menor, de 3,4%. Há um desbalanceamento bastante importante.
Os mais de 189 mil veículos importados desde janeiro equivalem à produção de uma fábrica de porte médio, que emprega 5 mil trabalhadores. É uma quantidade de veículos que representa uma fábrica no Brasil e alguns milhares de empregos. Grande parte das importações é feita pelas próprias marcas com fábricas no Brasil para complementar a linha de produtos com modelos fabricados na Argentina e no México. A queixa da indústria é com as importações vindas da China, origem de 58 mil carros importados neste ano, uma alta de 36%. Essas compras da China representam uma relação comercial desequilibrada, uma vez que, diferentemente da Argentina e do México, o Brasil não exporta automóveis para China.
A Anfavea voltou a cobrar a recomposição imediata das alíquotas de 35% nas importações de carros híbridos e elétricos, que vêm principalmente da China. Seria uma forma de chegar a um maior equilíbrio na competição. Também a posição contrária da associação ao pedido levado pela BYD ao governo por redução do imposto de importação dos conjuntos de componentes que serão trazidos da China para montagem final, em esquemas de CKD e SKD, em Camaçari, na Bahia. Segue em avaliação a possibilidade de levar ao governo um pedido de investigação de dumping dos carros chineses. O setor está avaliando todas as medidas possíveis para que essa competição seja mais equânime ou mais equilibrada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.