05/Jun/2025
Segundo projeção do Itaú BBA, o mercado de Créditos de Descarbonização (CBios) deve ganhar sustentação a partir do segundo semestre, com os preços em tendência de alta especialmente no quarto trimestre. A combinação entre queda na geração mensal de créditos e fluxo de compras semelhante por parte das distribuidoras obrigadas tende a reequilibrar a dinâmica entre oferta e demanda, movimento que contrasta com o excesso de CBios observado nos últimos meses. A estimativa é de que a distribuição dos depósitos deverá cair de uma média de 3,5 milhões de CBios/mês no 1º semestre de 2025 para 3,3 milhões no 2º semestre. Quando comparamos esse volume contra a nossa estimativa das compras mensais da parte obrigada, os fluxos no 2º semestre deverão ser semelhantes.
A projeção total de geração de créditos de descarbonização em 2025 é de 40,8 milhões de CBios, somando 33,2 milhões vindos do etanol, 7,4 milhões do biodiesel e 0,2 milhão do bio-GNV. Ao mesmo tempo, a estimativa é de que apenas 38,9 milhões de CBios sejam efetivamente aposentados, já considerando 10,6 milhões de créditos que não devem ser comprados por distribuidoras inadimplentes. Com isso, o banco espera um acréscimo de 2,1 milhões nos estoques de CBios, que devem encerrar o ano em 18,5 milhões. Apesar do aumento nos estoques, a mudança no comportamento da oferta ao longo do segundo semestre deve dar suporte aos preços.
O Itaú BBA também estima uma queda de 4% nas vendas de etanol combustível em 2025 frente a 2024, com maior participação do etanol de milho (de 23% para 29%), que tem menor percentagem de elegibilidade na geração de CBios: 67% contra 88% da cana-de-açúcar, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP). A pressão de baixa sobre os preços observada nos primeiros meses do ano foi causada por uma combinação de produção acima do esperado e redução de metas para distribuidoras que aderiram a contratos de longo prazo, o que cortou 1,5 milhão de CBios das metas de 2025. Os preços dos CBios deverão ter mais sustentação nos próximos meses, especialmente no 4º trimestre, diferente da dinâmica observada nos últimos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.