17/May/2024
A Petrobras perdeu, na quarta-feira (15/05), R$ 34 bilhões em valor de mercado, refletindo o receio dos investidores de maior interferência política na estatal depois da demissão do ex-senador Jean Paul Prates da presidência. Para o cargo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar Magda Chambriard, que comandou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no governo Dilma Rousseff. Será a 8ª troca de presidente em oito anos. Depois de cair 9,5% e entrar em leilão (mecanismo da B3 que é acionado quando há uma oscilação muito forte nas cotações), os papéis PN registraram recuo de 6,04%, enquanto os ON desabaram 6,78%. Com isso, o valor de mercado (soma de todas as ações) caiu de R$ 542 bilhões para R$ 508 bilhões. Empresa de maior peso na Bolsa, as ações da Petrobras fizeram o Ibovespa fechar em queda de 0,38%, na contramão do mercado externo (que comemorou a desaceleração da inflação ao consumidor nos Estados Unidos).
A avaliação é de que a escolha de Magda pode abrir caminho para interferência mais direta em temas como fixação de preços de combustíveis ou participação da Petrobras em projetos caros ao governo, como a recuperação do setor de estaleiros no País, prioridade que não deu resultados em governos passados do PT. Segundo a Medici Asset, a indicação de Chambriard é negativa, e o próprio movimento para tirar Prates, da maneira como foi, com atrito, e para emplacar um nome mais alinhado ao governo. Temas como a política de preços, distribuição de dividendos, plano de investimentos, entre outros, são cada vez mais determinados pelo governo e menos pelas demandas do mercado. Tratada como “petista histórica” no partido e no Palácio do Planalto, Magda já defendeu bandeiras que provocaram controvérsia no passado, como a exigência de conteúdo local na indústria do petróleo.
Menos de 24 horas após a demissão de Prates, ela se reuniu com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e prometeu tirar do papel novos investimentos no mercado de gás e de fertilizantes. A amigos, Prates disse que sua demissão foi “humilhante”. Próximo ao ex-presidente, Sergio Caetano Leite, diretor de Finanças, também saiu da empresa. A escolha de Magda Chambriard dará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o que ele vem demandando da Petrobras: “comando e controle” sobre os rumos da maior empresa do País. A indicação dela foi defendida pelo chefe da Casa Civil, Rui Costa, por José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, e pelo líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA). Outro que atuou em defesa de seu nome foi o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, a quem Lula respeita e confia e que segue tendo voz nos bastidores do atual governo. Entretanto, ainda que ela tenha recebido o respaldo de ministros e do próprio PT, a expectativa é que Magda estabeleça uma linha direta com Lula, num paralelo da relação de confiança que Dilma manteve com a então presidente da Petrobras Maria das Graças Forster.
O “comando e controle”, expressão usada para descrever essa correia de transmissão direta com o Planalto, não deverá passar nem pelo Ministério de Minas e Energia nem pela Casa Civil. Magda integrou listas de potenciais candidatos à presidência da Petrobras ainda durante a transição, antes do início do governo, e seu nome voltou a circular quando eclodiu a crise dos dividendos, há cerca de um mês. Além de fiel às bandeiras do partido, ela trabalhou na Petrobras, o que diminuiria a imagem de uma intervenção externa sobre a empresa. Nesta relação, também constava o nome de Aloizio Mercadante, hoje presidente do BNDES. Ele não teria sido o escolhido por discordância do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vê no economista um ponto de oposição no governo.
O presidente Lula, afirmam aliados, poderia ter escolhido Gabrielli se pudesse, mas o nome dele não estava na lista. O executivo está impedido de assumir cargos públicos por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2021, a Corte de contas responsabilizou o executivo e o então diretor Nestor Cerveró pelo prejuízo com a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Com a expectativa de investimentos da ordem de R$ 500 bilhões até 2028, a Petrobras é vista pelos auxiliares de Lula não apenas como uma empresa, mas como um elemento-chave para o desenvolvimento nacional. Magda nem se sentou na cadeira e já está sendo cobrada a “recuperar o tempo pedido”. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.