ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

14/May/2024

Etanol: setor pede crédito e marco legal para o SAF

Professor do Instituto de Biologia da Unicamp e um dos especialistas no assunto, Gonçalo Pereira vê risco de que o Brasil se torne um mero exportador de etanol (uma das possíveis matérias-primas do SAF, o combustível sustentável de aviação) para países que produzem o combustível. A Raízen, por exemplo, já firmou contratos para embarcar etanol para fabricantes de SAF na Europa. A competição com os Estados Unidos é completamente fora de propósito. O risco é o que está acontecendo, as empresas vão produzir no Brasil etanol carbono negativo e exportar para os Estados Unidos. É preciso uma articulação entre empresas e governo para produzir SAF a partir de etanol no Brasil. É a coisa mais fácil do mundo. O BNDES tem de entrar com recursos, e um consórcio de empresas produtoras de etanol para, com financiamento do governo, fazer uma grande iniciativa. O que está faltando é articulação. A primeira produção de SAF é pré-competitiva, tem de ser feita através de um consórcio de empresas, afirma Pereira. Os primeiros estudos no Brasil para produção de combustível sustentável para aviação e navegação marítima começaram em 2014.

Nos Estados Unidos, desde 2008 há liberação de recursos para estimular pesquisas na área. No caso do governo Joe Biden, foi estabelecido um subsídio de US$ 1,25 por galão (3,8 litros) de SAF quando o combustível produzido reduz em pelo menos 50% a emissão de gases de efeito estufa. Está claro que o assunto ganhou prioridade pelo governo. Finalmente, há avanços, mas, como o País está dez anos atrasados, precisa acelerar muito. O tempo vai passar e, se não correr, o Brasil vai ter de importar SAF em 2027 (ano em que empresas aéreas terão de começar a reduzir suas emissões de gases poluentes em voos internacionais), afirma a Be8, que está construindo uma usina no Paraguai. Em março deste ano, a Be8 conseguiu financiamento de R$ 729,7 milhões do BNDES para a construção de uma fábrica de etanol e farelo a partir do processamento de cereais em Passo Fundo (RS). A produção de SAF no Brasil, algo que demandaria um investimento maior, porém, ainda não tem um projeto concreto. O Ministério da Fazenda afirma que o montante de investimentos disponível nos Estados Unidos ou na China é “muita areia para o caminhãozinho” do Brasil.

Mesmo assim, o País tem pensado em novas fontes de financiamento e assume um protagonismo no debate dos biocombustíveis. O Brasil tem vantagens competitivas em rotas tecnológicas, e isso pode criar oportunidades de complementaridade nas cadeias de valor. O Brasil tem claras vantagens com energias renováveis, não só pela nossa insolação ou pelos nossos ventos, mas também por já termos avançado em algumas tecnologias anteriormente como os biocombustíveis. Falando de biocombustíveis, é um senso comum de que o Brasil tem grande potencial em biodiesel, diesel verde, hidrogênio e SAF. Existe vontade política muito grande de fazer acontecer o SAF no Brasil. O BNDES está empenhado, o Ministério de Minas e Energia também. Ainda que não haja recursos comparáveis aos dos Estados Unidos, o País tem vantagens competitivas e está buscando atrair investimentos nacionais e internacionais. Em março, a Câmara aprovou o projeto de lei batizado de Combustível do Futuro, após uma articulação entre o agronegócio e o setor de energia provocado pela discussão sobre o aumento da mistura de biodiesel ao óleo diesel.

O texto é considerado um dos projetos prioritários do governo na chamada pauta verde e, para os representantes do setor, indica o estímulo à produção de combustíveis sustentáveis. O projeto do Combustível do Futuro interessa a todos: às grandes cidades, que precisam reduzir suas emissões, ao transporte pesado. Mas, enquanto não houver o marco regulatório, o País tem apenas projetos marginais. A Be8 defende linhas de financiamento para o setor e obrigatoriedade de mistura de SAF ao querosene de aviação. Para a Unicamp, o projeto é um dos sinais de que a pauta ligada ao setor tem avançado em ritmo acelerado nos últimos seis meses no Brasil. O projeto de lei cria regras para combustível de aviação sustentável, diesel verde, captura e estocagem de carbono e etanol. O texto ainda precisa passar pelo Senado. A previsão é de que seja votado na Comissão de Infraestrutura da Casa ainda neste mês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.