27/Mar/2024
Em meio à disputa entre as montadoras por maior acesso a subsídios no País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, anunciaram as primeiras regras do Mover - Programa de Mobilidade Verde, lançado em dezembro pelo governo em substituição ao Rota 2030. A indústria automobilística passa pelo dilema sobre qual tecnologia vai mover os carros brasileiros nos próximos anos. Se a híbrida flex, com foco no uso do etanol, combustível renovável usado há mais de 40 anos apenas no Brasil, ou a elétrica, que traz junto as discussões de reciclagem de baterias e necessidade de aumento de extração de matérias-primas, como lítio e alumínio.
À frente do novo programa de estímulo à indústria automotiva, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério da Indústria e Comércio (MDIC), Uallace Moreira, diz que o governo não tem preferência por investimentos em carros híbridos flex ou elétricos. Neste ano, o governo reservou R$ 3,5 bilhões do Orçamento para oferecer na forma de renúncias tributárias à indústria automotiva, valor que até 2028 chegará a R$ 19,3 bilhões. O papel é estimular o investimento em rotas que promovem a descarbonização.
O Mover tem uma neutralidade quanto à rota tecnológica. Cabe às empresas decidirem; não é o governo que vai dizer: 'Produza carros a etanol'. O governo promove todas as rotas tecnológicas, as empresas que avaliam as possibilidades de mercado. Os maiores produtores mundiais de veículos, como China, Estados Unidos e Europa, já se definiram pelos modelos elétricos, por falta de opções para atenderem às normas de descarbonização. No Brasil, oitavo maior na lista de fabricantes, boa parte das montadoras tende para o híbrido flex, que usa um motor elétrico e outro a combustão, que pode ser abastecido com etanol ou gasolina.
Na avaliação sobre a concessão de créditos para instalação de novas unidades fabris no Brasil essa questão tecnológica não será levada em conta, mas haverá diferenciação na incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ao lançar o Mover, o governo destacou que pretende tributar mais os carros que poluem mais, porém, a fixação de cinco variáveis para quantificar isso está causando dúvidas no setor automotivo. Como os híbridos flex emitem menos CO2, teriam maior vantagem comparativa. Mas, os elétricos terão vantagem no curto prazo, quando ainda não entrará no cálculo o nível de poluição para a fabricação dos componentes dos veículos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.