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11/Jan/2021

Etanol: demanda e preços deverão subir em 2021

Após as dificuldades de 2020, quando a pandemia da Covid-19 reduziu drasticamente a demanda por etanol, o setor do biocombustível torce por um ano melhor em 2021. A avaliação é de que, se a pandemia for controlada, o mercado voltará a se aquecer e preços reagirão, principalmente porque a oferta restrita causada por um mix sucroenergético mais açucareiro deve beneficiar as cotações do biocombustível. Todos os indicadores apontam para uma melhora em 2021. A pandemia e a economia caminham juntas, e há uma perspectiva bem favorável para melhora da pandemia com a chegada das vacinas. Devemos ter uma segunda onda de Covid-19 misturada com primeira no início, mas a perspectiva da economia é positiva para a totalidade do ano-safra e o consumo deverá voltar para os padrões de 2019. O consumo do ciclo Otto pode recuperar algo próximo de dois dígitos. Estamos saindo de um ano com quebra muito expressiva, então não seria difícil se recuperar na casa dos 10%. Isso daria suporte ao etanol.

A temporada 2021/2022 de cana-de-açúcar, que começa em abril do ano que vem no Centro-Sul, deve ser menos açucareira do que a atual, já refletindo um avanço nos preços do biocombustível. No fim de 2020, já era possível observar uma recuperação, ainda que a pandemia não esteja controlada no Brasil. Além da retomada do consumo, o biocombustível é impulsionado pela recuperação do petróleo. O barril do Brent, que também caiu fortemente nas bolsas internacionais durante o pior momento da pandemia, agora acumula alta nos últimos 30 dias. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que, em 2021, a demanda por gasolina e diesel volte praticamente aos mesmos níveis de 2019. O avanço do etanol melhora a competitividade do etanol, ajudando a impulsionar os preços do biocombustível. Outro fator que explica a alta recente dos preços do etanol, e que deve se manter neste ano de 2021, é a oferta restrita. Observando que os preços de etanol vinham caindo e os de açúcar, subindo, usinas do Centro-Sul do País viraram a chave e apostaram no adoçante durante a pandemia.

O mix no acumulado da safra 2020/2021 é de 46,3% para o açúcar e 53,7% para o etanol; ante 34,59% e 65,41%, respectivamente, um ano antes, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Em 2020, a produção de etanol sofreu um recuo anual de 8,9%. O hidratado teve recuo ainda maior, de 11,6%. A queda do anidro foi menor - de 2,8%, para 9,405 bilhões de litros - em parte porque ele é misturado à gasolina, e o combustível fóssil teve retração no consumo menor do que o etanol. Já a produção de açúcar registrou alta de 44,1%. O fato de boa parte das usinas poder alternar com relativa facilidade açúcar e etanol ajudou a reduzir as perdas do ano de 2020. Ao longo de 2020 - mas principalmente no auge da quarentena, entre março e abril - o consumo do hidratado caiu expressivamente, assim como seus preços. A média para abril mostrou, por exemplo, queda mensal do hidratado de 26,6% em Goiás, 26,55% em Mato Grosso e 34,40% em Mato Grosso do Sul.

No mês seguinte, maio, já foi possível ver avanço: o preço médio subiu 7,0% em Goiás e 6,8% em Mato Grosso do Sul - apesar desse avanço, eles continuavam bem abaixo de 2019. Dados da Unica mostram que desde o início da safra, em abril, o Centro-Sul não teve nenhum mês em que as vendas totais (incluindo exportações) do biocombustível foram maiores do que em igual período do ano anterior, embora a diferença esteja diminuindo. Empresas que só têm a capacidade de produzir etanol e que representam 33% do biocombustível produzido no Centro-Sul, passaram por dificuldades. Os preços já estão acima de 2019. O mercado vem se recuperando e a demanda retornou. O início de 2021 deverá ser promissor, já que tanto açúcar quanto etanol estão em momentos positivos. Nos últimos anos, uma das opções estava boa e a outra, não. Agora, ambas estão bem. Isso já acontecia no final de 2019, mas a pandemia atrapalhou. Agora, temos os dois produtos bem suportados em 2021. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.