05/Nov/2026
Segundo o Rabobank, a safra recorde de café do Brasil é estimada em 73,3 milhões de sacas de 60 Kg em 2026/27, deverá permitir a recomposição dos estoques e reduzir parte da volatilidade no mercado internacional. Entretanto, a disponibilidade de cafés de melhor qualidade e as condições climáticas para a próxima temporada continuam entre os principais pontos de atenção. Para o próximo trimestre, o banco projeta preços entre US$ 2,70 e US$ 2,90 por libra-peso para o arábica e entre US$ 3.500,00 e US$ 3.700,00 por tonelada para o conilon, após recuos de aproximadamente 11% e 15% em 2026, respectivamente. O aumento da oferta ocorre após vários anos de abastecimento restrito e recebe reforço da entrada de café de outras origens, como o Vietnã.
O Rabobank estima superávit global de 8,8 milhões de sacas de 60 Kg no ciclo, volume que deverá contribuir para reduzir as oscilações das cotações. Apesar disso, a recomposição dos estoques tende a ocorrer de forma lenta e gradual, enquanto os níveis historicamente baixos e as questões relacionadas à qualidade da safra ainda sustentam fatores de volatilidade. A produção brasileira projetada pelo banco é composta por 48,7 milhões de sacas de 60 Kg de arábica, aumento de 27,8% em relação ao ciclo anterior, e 24,6 milhões de sacas de 60 Kg para o conilon, queda de 3,9%. A maior disponibilidade tende a exercer pressão sobre os preços, embora o mercado ainda mantenha fatores de sustentação relacionados à qualidade dos grãos e à necessidade de recuperação dos estoques.
O volume recorde, entretanto, não elimina as preocupações com a qualidade. As chuvas acima da média atrasaram a colheita do arábica e provocaram a queda de frutos maduros no solo, comprometendo parte dos lotes. Os efeitos não foram generalizados, mas atingiram principalmente produtores dependentes da secagem em terreiro e ampliaram a atenção sobre a oferta de cafés de padrão superior. Para a safra 2027/28, a perspectiva é de redução da produção brasileira. O arábica deverá entrar no período de menor rendimento da bienalidade, alternância entre anos de maior e menor produtividade, enquanto parte dos produtores tende a realizar podas para renovação das lavouras. O conilon deve apresentar recuperação, mas insuficiente para compensar integralmente a queda esperada no arábica. Até o momento, as condições hídricas favorecem o desenvolvimento dos ramos da próxima safra.
Ainda assim, o período até a colheita é longo, e possíveis veranicos e temperaturas elevadas associados ao El Niño poderão comprometer o potencial produtivo. O comportamento do clima permanece, portanto, como um dos principais fatores de risco para as estimativas e para a formação dos preços. A maior disponibilidade de café já se reflete nas exportações brasileiras. Entre julho e setembro, primeiros três meses da temporada 2026/27, os embarques somaram 11,21 milhões de sacas de 60 Kg, crescimento de 15,5% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Para a safra completa, de julho a junho, o Rabobank projeta exportações entre 42 milhões e 45 milhões de sacas de 60 Kg. No ano-calendário de 2026, a estimativa é de aproximadamente 41 milhões de sacas de 60 Kg. No mercado doméstico, a redução dos preços ao consumidor favorece a recuperação do consumo.
O preço médio do café recuou de R$ 65,29 por quilo em janeiro para R$ 56,91 em setembro. O Rabobank projeta consumo interno de 21,8 milhões de sacas de 60 Kg em 2026/27, ante 21,4 milhões de sacas de 60 Kg na temporada anterior. O banco também destaca os efeitos das exigências europeias de rastreabilidade, previstas para entrar em vigor em 30 de dezembro de 2026 para operadores de médio e grande porte. As regras poderão diferenciar o café com documentação e comprovação de conformidade para acesso ao mercado europeu daquele destinado a outros compradores. O Brasil é considerado bem-posicionado nesse processo, devido à estrutura de documentação e à capacidade de comprovação de que as áreas de produção não estão associadas ao desmatamento. Nos Estados Unidos, o café brasileiro não estará sujeito a tarifas, conforme anúncio realizado em julho de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.