30/Sep/2026
Os preços do café arábica estão em forte queda nesta parcial de setembro, e as negociações estão pontuais. A conclusão da colheita da safra 2026/27 e o ajuste positivo da produção brasileira, além do ritmo elevado dos embarques e a recuperação dos estoques certificados na Bolsa de Nova York influenciam este cenário de baixas. Quanto à safra 2027/28, as chuvas registradas ao longo do mês nas regiões produtoras favoreceram as floradas. Na parcial do mês, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, registra média de R$ 1.592,98 por saca de 60 Kg. O valor é 10,05% inferior ao de agosto (R$ 1.770,88 por saca de 60 Kg) e 30,38% menor que o de setembro de 2025 (R$ 2.288,04 por saca de 60 Kg), em termos reais (IGP-DI de agosto de 2026). O Indicador saiu de R$ 1.748,43 por saca de 60 Kg em 31 de agosto para R$ 1.556,57 por saca de 60 Kg no dia 28 de setembro, baixa acumulada de 10,97%, com o menor valor do período no dia 22 (R$ 1.511,13 por saca de 60 Kg).
Na Bolsa de Nova York, o contrato Dezembro/26 registra recuo de 2.275 pontos (-7,30%) na mesma comparação, passando de 311,50 para 288,75 centavos de dólar por libra-peso. Portanto, a queda do Indicador supera a do primeiro contrato negociado em Nova York. O desempenho das exportações brasileiras também pesou sobre as cotações ao longo de setembro. Segundo o Cecafé, os embarques totais de café (verde, torrado e solúvel) somaram 4,2 milhões de sacas de 60 Kg em agosto, o maior volume para o mês da série, iniciada em 1990, com altas de 36,3% frente a julho e de 31% em relação a agosto de 2025. O fluxo mais intenso de café para o exterior coincidiu com a recuperação dos estoques certificados na ICE Futures e com a ampliação das posições vendidas dos fundos, o que reforçou a leitura de maior disponibilidade no mercado internacional.
O regime de chuvas completou o quadro baixista. Entre 1º e 21 de setembro, os acumulados superaram 120 milímetros no Sul de Minas (MG), na Zona da Mata (MG) e na região da Paulista (SP), segundo o Inmet. Esses volumes garantiram boa umidade do solo no período de abertura das flores e afastaram, durante a maior parte de setembro, o receio de restrição hídrica que costuma acompanhar essa fase. Porém, vale indicar que os preços registraram aumentos nos últimos dias, devido ao calor intenso e à ausência de chuvas no último fim de semana, o que preocupa cafeicultores quanto ao pegamento das flores. A partir do dia 22 de setembro, quando o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica registrou o menor valor do mês, as cotações passaram a se recuperar, e, somente no dia 28 de setembro, as altas foram de 1,18% no mercado interno e de 3,64% na Bolsa de Nova York.
A reação no fim do mês indica que o mercado segue sensível a qualquer sinal de estresse climático durante a floração, fase decisiva para o potencial produtivo da safra 2027/28, ciclo de bienalidade negativa para o arábica. A condição das lavouras após a colheita em período chuvoso, com registros de ferrugem e cercóspora e risco de desfolha, é outro ponto de atenção para a próxima temporada. Nos últimos sete dias, especificamente, as cotações do café arábica registram recuperação, com o tempo quente e seco nas regiões produtoras. O Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, está cotado a R$ 1.556,57 por saca de 60 Kg, alta de 1,46% nos últimos sete dias. Na Bolsa de Nova York, o contrato Dezembro/26 do arábica tem avanço de 1.235 pontos (ou 4,47%) no mesmo período, a 288,75 centavos de dólar por libra-peso, ante 276,40 centavos de dólar por libra-peso em 21 de setembro. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.