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24/Sep/2026

Vendas aceleram com queda de preço ao consumidor

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o consumo de café no varejo brasileiro cresceu 4,65% no acumulado do segundo quadrimestre de 2026, entre maio e agosto. O resultado representa aceleração em relação ao primeiro quadrimestre, quando o volume havia aumentado 2,44%. No período de maio a agosto, foram comercializadas aproximadamente 7 milhões de sacas de 60 Kg café. A expansão do consumo ocorreu em um cenário de redução dos preços ao consumidor, favorecida pela queda das cotações dos cafés arábica e conilon (robusta) diante da expectativa de uma grande safra. A redução dos custos da matéria-prima foi repassada pelas indústrias ao varejo, permitindo preços mais baixos e estimulando a demanda.

As temperaturas mais amenas no período também contribuíram para o aumento sazonal do consumo da bebida. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas de café cresceram 2,29% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando aproximadamente 13,5 milhões de sacas de 60 Kg. A sazonalidade permaneceu semelhante à observada em anos anteriores, com maior consumo nos meses mais frios. O avanço mensal mais expressivo registrado até agosto ocorreu entre junho e julho, quando as vendas aumentaram 5,80%. Os preços recuaram em todas as categorias pesquisadas na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês de 2025.

O café Tradicional/Extraforte apresentou a maior redução, de 21,22%, com o preço médio passando de R$ 62,83 para R$ 49,50 por Kg. O café solúvel também apresentou queda expressiva, de 19,31%. O comportamento dos preços indica um processo de acomodação após o período de forte valorização e busca por maior equilíbrio entre oferta, custos e demanda. A oferta de matéria-prima para a indústria também apresentou melhora. A partir do fim de maio de 2026, a disponibilidade de café arábica e canéfora, incluindo conilon e robusta, passou da classificação de seletiva para normalidade. A mudança indica maior regularidade no abastecimento das torrefadoras e reduz uma das restrições observadas anteriormente no mercado.

Apesar da aceleração das vendas, a indústria mantém cautela para o último quadrimestre do ano diante das condições climáticas. O El Niño representa um fator de risco para a oferta e para a volatilidade dos preços da matéria-prima, especialmente caso o fenômeno se intensifique na reta final de 2026. Eventuais oscilações nas cotações dos grãos poderão resultar em ajustes nos preços ao consumidor. A expectativa da indústria é de manutenção de preços relativamente estáveis, condição considerada importante para sustentar o crescimento do consumo até o fim do ano. O desempenho acumulado até agosto combina aumento das vendas, maior disponibilidade de matéria-prima e redução dos preços no varejo, mas a evolução do clima e das cotações do café permanece como principal variável para o comportamento do mercado no último quadrimestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.