18/Sep/2026
A colheita de arábica da temporada 2026/27 está praticamente encerrada, e a estimativa é de produção recorde, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, verifica-se um cenário mais desafiador quanto à qualidade desta safra. As chuvas durante a colheita, em junho e julho, atrapalharam a secagem dos grãos nos terreiros e afetaram parte dos lotes de café arábica em Minas Gerais e em São Paulo, sobretudo os que caíram ou estavam no chão no momento das precipitações, justamente os mais vulneráveis à umidade. Agentes indicam percentual elevado de lotes com a bebida prejudicada e peneiras aquém do padrão, o que deve exigir acompanhamento redobrado da qualidade das exportações ao longo da temporada. No geral, o produtor brasileiro segue mais capitalizado nesta safra e tem comercializado o café de forma mais cadenciada, sem a pressão por caixa observada em temporadas anteriores.
O ritmo mais lento da colheita também contribuiu para esse comportamento: além das chuvas de junho e julho, que dificultaram os trabalhos justamente no período de maior volume a ser colhido, a forma de recolhimento dos grãos que ficaram no chão tornou o processo mais moroso, represando parte do café beneficiado e pronto para exportação até que, em agosto, esse volume passou a ser escoado com mais intensidade. Por outro lado, o clima mais úmido de setembro está favorável ao desenvolvimento da nova temporada de café (2027/28) em diversas regiões brasileiras, embora o cenário varie conforme a localidade. Nos próximos meses, as condições climáticas, sobretudo as relacionadas ao El Niño, devem ditar boa parte do comportamento dos preços. De certa forma, o mercado global segue muito dependente da produção brasileira, que, na próxima safra, deve ser de bienalidade baixa.
Apesar da boa entrada de lavouras renovadas em produção, é significativa a parcela de lavouras que carregaram volume elevado de café na safra 2026/27, o que pode tornar relevante a proporção de talhões conduzidos à safra zero na temporada seguinte. Somando-se a isso, a produção volumosa, mas com elevado índice de cafés com a bebida prejudicada na safra 2026/27, pode manter a oferta de café mais restrita, limitando o espaço para pressões baixistas mais intensas sobre os preços. Neste mês, o Indicador do café arábica opera por volta dos R$ 1.600,00 por saca de 60 Kg e o do robusta, dos R$ 990,00 por saca de 60 Kg. Estes patamares estão abaixo dos registrados no ano passado, quando, vale lembrar, os valores atingiram as máximas históricas de suas respectivas séries: o arábica chegou a ser negociado a R$ 2.700,00 por saca de 60 Kg. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.