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18/Sep/2026

Café Solúvel: exportação brasileira avança em agosto

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações brasileiras de café solúvel alcançaram 7,7 mil toneladas em agosto, equivalentes a 333,7 mil sacas de 60 Kg, alta de 24,9% ante igual mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, os embarques somaram 65,3 mil toneladas, equivalentes a 2,83 milhões de sacas de 60 Kg, crescimento de 12,8% em relação às 57,9 mil toneladas, ou 2,51 milhões de sacas de 60 Kg, exportadas no mesmo período do ano passado. O avanço dos embarques ocorre de forma disseminada ao longo de 2026. Com exceção de janeiro, todos os meses registraram volumes iguais ou superiores aos de 2025, com crescimento de até 38,9% em junho. O desempenho reforça a expectativa de aceleração das exportações no segundo semestre, apoiada principalmente pela evolução das relações comerciais com a União Europeia e os Estados Unidos.

A União Europeia, principal destino dos cafés solúveis brasileiros considerando o bloco como um todo, recebeu 13,1 mil toneladas no acumulado de 2026, alta de 44,2% ante igual período de 2025. A entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, em 1º de maio, amplia o potencial de crescimento das vendas brasileiras para o mercado europeu. Nos Estados Unidos, maior país importador do café solúvel brasileiro, os embarques acumulados no ano ainda estão 6,1% abaixo dos registrados em 2025. Em agosto, contudo, primeiro mês completo após a retirada do tarifaço, as exportações para o mercado norte-americano cresceram 86,8% ante agosto do ano passado, indicando recuperação do fluxo comercial. No mercado interno, o consumo brasileiro de café solúvel também apresenta expansão. Nos oito primeiros meses de 2026, foram consumidas 19,7 mil toneladas, aumento de 11,9% em relação ao mesmo período de 2025.

O crescimento ocorreu nas duas principais categorias: o café spray dried avançou 11,7%, enquanto o freeze dried, de maior valor agregado, cresceu 13,3%. A combinação entre investimentos da indústria, lançamento de novos produtos, expansão das vendas para a União Europeia e recuperação do mercado norte-americano sustenta a expectativa de desempenho histórico do setor em 2026. O cenário abre possibilidade de recordes tanto no volume exportado quanto no consumo doméstico de café solúvel. Apesar do ambiente favorável para vendas externas e consumo, a reforma tributária representa um fator de pressão sobre a estrutura de custos da indústria a partir de 2027. O setor utiliza historicamente um crédito presumido de PIS/Cofins sobre a aquisição de café verde, mecanismo destinado a estimular a industrialização e preservar a competitividade das exportações. O crédito corresponde atualmente a 7,4% do valor da matéria-prima e foi reduzido para 6,66% em 2026, com previsão de extinção integral a partir de 1º de janeiro de 2027.

A retirada do benefício deve elevar os custos da indústria brasileira de café solúvel, com reflexos sobre a cadeia produtiva e sobre a competitividade do produto. A inclusão do café na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero dos novos tributos CBS e IBS, não produz efeito financeiro equivalente para a indústria, pois a desoneração não substitui o crédito presumido utilizado para reduzir o custo da matéria-prima. Com isso, a extinção do mecanismo tributário tende a transferir para o produto final um custo que anteriormente era parcialmente compensado pelo benefício fiscal. A Abics mantém interlocução com o governo federal e o Congresso Nacional em busca de alternativas para preservar a competitividade do setor, incluindo mecanismos de transição ou compensação. Até o momento, não há sinalização de reversão da medida, o que mantém a perspectiva de incorporação, a partir de 2027, do custo anteriormente compensado pelo crédito tributário na estrutura de preços do café solúvel. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.