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16/Sep/2026

Exportação brasileira de café recorde para agosto

As exportações brasileiras de café voltaram a avançar em agosto. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os embarques totais (café verde, torrado e solúvel) somaram 4,16 milhões de sacas de 60 Kg, o maior volume já registrado para o mês de agosto desde o início da série histórica do Cecafé, em 1990. A quantidade aumentou 36,3% frente às 3,05 milhões de sacas de 60 Kg embarcadas em julho deste ano e 31% na comparação com agosto de 2025, quando o total havia sido de 3,17 milhões de sacas de 60 Kg. Em julho, primeiro mês da safra 2026/27, os embarques totais haviam somado 3,05 milhões de sacas de 60 Kg, avanço de 10,6% frente às 2,76 milhões de sacas de 60 Kg exportadas em julho de 2025, em um período ainda marcado pela lentidão da colheita do arábica em Minas Gerais e em São Paulo. Os embarques de café arábica seguem firmes e colaboraram com o aumento das exportações.

Porém, as vendas do robusta também ajudaram a puxar o resultado para cima: o volume em agosto, de 953,6 mil sacas de 60 Kg, é o maior da série do Cecafé, com elevações de 12,4% sobre julho (848,6 mil sacas) e de 53,6% frente a agosto de 2025 (621 mil sacas de 60 Kg). Esse resultado reflete o fim da colheita da safra 2026/27 de conilon, que aumenta a disponibilidade de cafés novos para exportação nesta época do ano, além de um cenário de demanda externa favorável, com a guerra no Oriente Médio e problemas no fluxo global de mercadorias beneficiando o escoamento da produção brasileira. O mercado mundial de café segue bastante dependente das exportações brasileiras neste segundo semestre de 2026. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os embarques totais do Brasil na safra 2026/27 devem somar o recorde de 49,1 milhões de sacas de 60 Kg, 27,5% acima do registrado em 2025/26 (quando o volume havia sido de 38,5 milhões de sacas de 60 Kg, de acordo com o Cecafé).

Atingir esse recorde exigirá volumes elevados de embarques ao longo dos próximos meses, sobretudo diante dos problemas de qualidade relatados nesta safra. O recorde de exportações da série do Cecafé foi atingido na safra 2023/24, de 47,46 milhões de sacas de 60 Kg. Se a projeção do USDA para 2026/27, de 49,1 milhões de sacas de 60 Kg, se confirmar, esse volume será 3,4% maior que o recorde anterior. Nos dois primeiros meses desta nova temporada, os embarques já somaram 7,20 milhões de sacas de 60 Kg, alta de 21,5% frente às 5,93 milhões de sacas de 60 Kg do mesmo período de 2025/26, ainda que 5,1% abaixo do volume recorde de 7,59 milhões de sacas de 60 Kg embarcado em julho e agosto de 2024/25. Esse ritmo mais forte, no entanto, ocorre em meio a um cenário mais desafiador quanto à qualidade nesta safra.

As chuvas durante a colheita, em junho e julho, atrapalharam a secagem dos grãos nos terreiros e afetaram parte dos lotes de café arábica em Minas Gerais e em São Paulo, sobretudo os que caíram ou estavam no chão no momento das precipitações, justamente os mais vulneráveis à umidade. Colaboradores consultados pelo Cepea indicam percentual elevado de lotes com a bebida prejudicada e peneiras aquém do padrão, o que deve exigir acompanhamento redobrado da qualidade das exportações ao longo da temporada. Apesar da aceleração recente, o produtor brasileiro segue mais capitalizado nesta safra e tem comercializado o café de forma mais cadenciada, sem a pressão por caixa observada em temporadas anteriores. O ritmo mais lento da colheita também contribuiu para esse comportamento: além das chuvas de junho e julho, que dificultaram os trabalhos justamente no período de maior volume a ser colhido, a forma de recolhimento dos grãos que ficaram no chão tornou o processo mais moroso, represando parte do café beneficiado e pronto para exportação até que, em agosto, esse volume passou a ser escoado com mais intensidade. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.