09/Sep/2026
Segundo o Banco do Brasil, o mercado internacional de café deve apresentar preços estáveis, porém em níveis elevados e com alta volatilidade no trimestre de setembro a novembro. A perspectiva considera, de um lado, a pressão de uma safra global recorde e, de outro, o suporte proporcionado pelos estoques historicamente baixos e pelas incertezas climáticas associadas ao El Niño sobre a próxima temporada, 2027/28. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial recorde de 189,7 milhões de sacas de 60 Kg na safra 2026/27, com recomposição dos estoques globais pelo segundo ano consecutivo. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou, em maio, expectativa de colheita de 66,7 milhões de sacas de 60 Kg em 2026, maior volume da série histórica e alta de 18% ante a safra anterior. O crescimento é puxado pelo café arábica, cuja produção deve aumentar 28%, para 45,8 milhões de sacas de 60 Kg.
Dados de agosto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também reforçam o cenário de maior oferta, com alta de 14,7% na produção total. O principal fator de incerteza passa a ser o clima. Com a colheita da safra 2026/27 na reta final, a atenção do mercado se volta para as floradas e o regime de chuvas da temporada 2027/28, principalmente em Minas Gerais e São Paulo. Irregularidades nas precipitações ou temperaturas elevadas podem comprometer a formação dos frutos. Por outro lado, anos sob influência do El Niño tendem a reduzir o risco de ocorrência de geadas. Embora a oferta da safra atual seja considerada confortável, os estoques certificados de café arábica na Bolsa de Nova York permanecem em níveis historicamente baixos. A situação funciona como um amortecedor limitado para eventuais quedas e aumenta a sensibilidade das cotações a mudanças nas condições de oferta e demanda.
A recomposição dos estoques pode ocorrer em ritmo mais lento que o esperado, mantendo suporte aos preços no curto prazo. A colheita brasileira alcançou 97% até o fim de agosto, e a expectativa é de intensificação dos embarques durante o trimestre, ampliando a disponibilidade física de café no mercado internacional. A comercialização pelos produtores, contudo, permanece moderada, o que limita uma queda mais acentuada das cotações. O equilíbrio entre a maior oferta da safra atual e os riscos climáticos para a próxima temporada aponta para um mercado de comportamento lateral no trimestre. A entrada de uma safra recorde limita o potencial de alta, enquanto os estoques reduzidos, a comercialização contida pelos produtores e as incertezas relacionadas ao El Niño oferecem sustentação aos preços. Nesse ambiente, a expectativa é de oscilações frequentes e elevada volatilidade, mas sem tendência definida de alta ou de baixa entre setembro e novembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.