09/Sep/2026
Segundo o Rabobank, os preços do café podem estar diante de um ponto de inflexão, com perspectiva de excedente global nas próximas safras, mas ainda sob influência de riscos climáticos associados a um forte El Niño. Parte dos fatores que sustentaram a disparada recente perdeu força. As tarifas dos Estados Unidos sobre café deixaram de ser um entrave relevante para a maior parte das origens, o que reduziu distorções logísticas e cargas represadas. A regulamentação europeia ligada ao desmatamento, cuja implementação foi adiada e deve avançar no fim deste ano, tende a causar menos preocupação do que em 2024, com mais clareza sobre as regras.
O Mar Vermelho, porém, continua como ponto de atenção. Os ataques a navios mantêm a rota restrita e sustentam custos e atrasos no transporte. Ainda assim, a maior disponibilidade de capacidade na indústria de contêineres limita o risco de uma repetição dos fretes “astronômicos” observados no período da pandemia. Mesmo com a queda das cotações em relação aos picos de 2020 a 2025, o mercado voltou a ganhar tração desde o início de junho, com alta ao redor de 20% no arábica. Parte do movimento é atribuído a condições atípicas de chuvas no Brasil durante o período frio, em junho e no começo de julho, o que teria derrubado frutos ao chão em algumas áreas.
Embora o volume possa ser recuperado, a colheita de “café de chão” aumenta o risco de perda de qualidade e amplia a diferença de preço entre lotes premium e cafés inferiores. O El Niño foi descrito como um risco adicional, com potenciais efeitos regionais distintos. O Rabobank citou a possibilidade de maior umidade na Região Sul do Brasil e mudanças no padrão de chuvas na Ásia, com impactos potenciais sobre floradas e sobre a oferta de robusta em grandes produtores, como Vietnã e Indonésia. No entanto, os efeitos mais relevantes podem aparecer mais adiante, sobretudo na safra 2027/28, dependendo do comportamento de calor e precipitação entre novembro e março no Sudeste Asiático.
No comércio exterior, as exportações globais até julho de 2026 ficaram “surpreendentemente lentas”, com uma queda expressiva do Brasil e da Colômbia. Os embarques brasileiros no período recuaram perto de 6 milhões de sacas de 60 Kg, e os colombianos, cerca de 1 milhão de sacas de 60 Kg, mas o movimento foi compensado por exportações maiores do Vietnã. Nos 12 meses até julho, o país asiático teria ampliado os embarques em cerca de 5,3 milhões de sacas de 60 Kg, com altas também em Honduras, Índia e Peru. Do lado da oferta, o Rabobank revisou para cima o excedente global da safra 2025/26, para 3,4 milhões de sacas de 60 Kg, após elevar a estimativa de produção de robusta do Vietnã.
Para 2026/27, a expectativa é de excedente maior, de 8,9 milhões de sacas de 60 Kg, com predominância de arábica (6,7 milhões de sacas de 60 Kg). A safra vietnamita 2025/26 foi estimada em 32,5 milhões de sacas de 60 Kg, mas a projeção para 2026/27 recua para 29,2 milhões de 60 Kg, refletindo estresse das lavouras e o desempenho forte de exportações recentes. Com a perspectiva de maior disponibilidade, o mercado deve caminhar para uma estrutura mais “folgada” ao longo do fim de 2026, com preços do arábica em torno de 270,00 centavos de dólar por libra-peso, em média, no quarto trimestre, abaixo dos níveis então observados no contrato de dezembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.