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08/Sep/2026

Portos: gargalos geram perdas aos exportadores

Governo e iniciativa privada se reuniram no Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em Brasília (DF), para analisar situações de saturação da capacidade portuária e de seus acessos, considerando a comparação entre a demanda projetada e a capacidade existente. O Grupo de Trabalho (GT) discutiu ações para implementar o Monitoramento da Saturação Portuária (MSP), com participação do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Sob condução da Secretaria Nacional de Portos (SNP), a iniciativa busca identificar gargalos de infraestrutura em portos organizados e instalações portuárias autorizadas, além de avaliar a oferta de capacidade em terminais privados e nos acessos portuários terrestres e aquaviários. O objetivo é medir a quantidade e a qualidade do nível de serviço por grupo de carga ou produto ao longo do horizonte de planejamento do Plano Nacional de Logística (PNL).

A implementação do MSP decorre da necessidade de informações acuradas e confiáveis para orientar decisões, investimentos e o planejamento do setor portuário. Em seu escopo inicial, a ferramenta deverá permitir o mapeamento de gargalos e apoiar o planejamento setorial de Estado, com participação das entidades privadas que representam os usuários dos portos e conhecem as condições da infraestrutura portuária e de seus entornos. A proposta é comparar a demanda projetada com a capacidade existente para identificar antecipadamente situações de saturação da infraestrutura portuária e dos acessos pelos modais rodoviário e aquaviário. O diagnóstico deverá orientar ações do governo e decisões de investimento, além de permitir o mapeamento dos níveis de serviço portuários para a adoção de medidas de mitigação de riscos e redução dos prejuízos ao comércio exterior brasileiro. Para demonstrar às autoridades públicas, com base em estatísticas, o cenário logístico e os impactos do estrangulamento da infraestrutura, o Cecafé desenvolveu em 2023, em parceria com a ElloX Digital, o Boletim Detention Zero (DTZ).

A ferramenta ampliou o acesso do governo federal a informações que, apesar dos recordes de exportação, permaneciam pouco visíveis e evidenciaram a defasagem de infraestrutura nos principais portos brasileiros. Na média mensal de 2025, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações de escala. Como consequência, cerca de 602 mil sacas, equivalentes a 1.824 contêineres, de café deixaram de ser exportadas a cada mês. O cenário evidenciou a insuficiência de capacidade de pátio e de berço nos portos, elevando os índices de atraso das embarcações e provocando alterações recorrentes de escala. Os problemas resultaram em rolagens de cargas, lotação de pátios e filas de caminhões, além de prejuízo de R$ 66,1 milhões aos exportadores associados ao Cecafé no acumulado de 2025, decorrente de custos adicionais com armazenagem, pré-stacking e detentions. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.