02/Sep/2026
Os preços do café arábica subiram em agosto, sustentados principalmente pela menor qualidade dos grãos da safra 2026/27 e pelos níveis historicamente baixos dos estoques certificados na Bolsa de Nova York. O movimento ocorreu mesmo com a colheita brasileira encerrando o mês praticamente concluída, o que elevou a oferta doméstica. As preocupações com o clima para a próxima safra e seus possíveis impactos sobre as floradas também deram suporte às cotações. As fortes chuvas registradas em junho e julho nas principais regiões produtoras comprometeram a qualidade dos grãos ao longo da colheita e reforçaram a alta no mês.
Apesar do volume recorde estimado para a safra 2026/27, o resultado deve ser aquém do ideal, com maior participação de cafés de bebida inferior e de peneiras menores, reduzindo a oferta de cafés finos, de peneira maior. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, registrou média de R$ 1.770,88 por saca de 60 K em agosto, elevação de 2,75% frente à média de julho (R$ 1.723,47 por saca de 60 Kg), em termos reais (IGP-DI de julho de 2026). O mês registrou grande volatilidade. No dia 24 de agosto, o Indicador fechou a R$ 1.826,58 por saca de 60 Kg, o maior valor desde abril deste ano, impulsionado por um dos menores volumes de estoques certificados da ICE Futures e pelo aumento das posições compradas dos fundos.
Na Bolsa de Nova York, o contrato Dezembro/26 renovou a máxima do período nesse mesmo dia, fechando a 341,65 centavos de dólar por libra-peso. Por outro lado, o vencimento Dez/26 fechou o último pregão do mês a 311,50 centavos de dólar por libra-peso. No campo, a colheita do café arábica da safra 2026/27 está praticamente encerrada, e as atenções dos agentes já se voltam para a próxima safra (2027/28). No dia 31 de agosto, choveu em algumas regiões produtoras: segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Marília (SP), na região da Paulista, registrou 20,8 milímetros de chuvas; Machado, no Sul de Minas (MG), 10,2 mm; e Franca (SP), na Mogiana Paulista, 2 mm.
Esses volumes podem favorecer os tratos culturais nos cafezais recém-colhidos e têm papel importante na florada que se aproxima, fundamental para a formação da safra 2027/28. Contudo, o setor segue em alerta quanto ao risco climático para a florada. Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) e o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano subiu para 95%, o que pode reduzir o pegamento das flores nas lavouras e limitar o potencial produtivo da safra 2027/28.
Para os primeiros dias de setembro, a previsão do Climatempo indica novas chuvas nas mesmas regiões: em Marília, 6,5 mm hoje, dia 1º; em Machado, 16,5 mm hoje e mais 0,7 mm no dia 2; e em Franca, 10,3 mm no dia 1º e 7,6 mm no dia 2, porém acompanhadas de temperaturas ainda elevadas, entre 30°C e 33°C. Na contramão do observado para o arábica, os preços do café robusta recuaram em agosto, influenciados pelo encerramento da colheita no Espírito Santo. O Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, à vista, a retirar no Espírito Santo, teve média de R$ 1.065,16 por saca de 60 Kg no mês, baixa de 2,51% frente à média de julho (R$ 1.092,62 por saca de 60 Kg). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.