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19/Aug/2026

Exportação brasileira inicia 2026/2027 em bom ritmo

As exportações brasileiras de café iniciaram a safra 2026/27 em ritmo superior ao observado no começo da temporada passada e poderiam ter sido ainda melhores caso as chuvas de junho e julho não tivessem atrapalhado a colheita e a secagem dos grãos nos terreiros de café arábica em Minas Gerais e em São Paulo. Em julho de 2026, primeiro mês da nova safra, os embarques totalizaram 3,03 milhões de sacas de 60 Kg (cafés arábica e robusta), avanço de 9,9% frente às 2,76 milhões de sacas de 60 Kg exportadas em julho de 2025, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Vale lembrar que os embarques da temporada anterior (2025/26) foram os mais baixos desde a safra 2022/23.

Naquele período, adversidades climáticas, como geadas e baixos volumes de chuva, prejudicaram a produção. De acordo com o Cecafé, entre julho de 2025 e junho de 2026, o Brasil exportou 38,46 milhões de sacas de 60 Kg de café, volume 15,7% inferior às 45,62 milhões de sacas de 60 Kg registradas em 2024/25. A queda esteve relacionada à combinação entre menor produção na safra 2025/26 e estoques nacionais historicamente baixos. No caso do arábica, o ritmo mais lento da colheita da safra 2026/27 tem limitado a disponibilidade de café beneficiado e pronto para embarque. As atividades no campo vêm sendo mais trabalhosas nesta temporada, e as chuvas registradas durante a colheita em junho e julho também têm dificultado os trabalhos e afetado a qualidade dos grãos, especialmente a bebida.

No fim do mês passado, cerca de 30% da safra ainda estava por colher, pelo menos 10% acima do normalmente esperado para o período. Além de atrasar a retirada dos grãos do campo, as precipitações atingiram uma parcela importante dos cafés que estavam no chão, justamente os mais vulneráveis à umidade. A dimensão dos impactos sobre a qualidade, no entanto, deve ficar mais clara à medida que os lotes forem provados, beneficiados e comercializados. Esse cenário pode limitar, ao longo da temporada, o ritmo de disponibilização de café para exportação, sobretudo diante dos problemas de qualidade.

A projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de exportações brasileiras de 49,1 milhões de sacas de 60 Kg na safra 2026/27, exige um volume elevado de embarques. Ao mesmo tempo, os estoques globais seguem bastante limitados, e o Brasil vem de anos de oferta mais restrita, condição relevante por se tratar do principal exportador mundial. Assim, apesar da melhora no ritmo dos embarques, a safra 2026/27 deve ser desafiadora. Relatos de percentual elevado de cafés com a bebida prejudicada e peneiras aquém dos padrões reforçam a necessidade de acompanhamento do desempenho das exportações ao longo da temporada.