19/Aug/2026
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), a exportação brasileira de café solúvel alcançou 8,161 mil toneladas em julho, equivalentes a 353.761 sacas de 60 Kg de café verde, volume 20% superior ao embarcado em igual mês de 2025. O resultado reforça a retomada do produto no mercado internacional e ocorre simultaneamente ao avanço do consumo doméstico. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 57,4 mil toneladas, equivalentes a 2,488 milhões de sacas de 60 Kg, alta de 10,9% ante as 51,7 mil toneladas, ou 2,243 milhões de sacas de 60 Kg, embarcadas nos mesmos sete meses de 2025. O desempenho ocorre em um contexto de mudanças no ambiente comercial do setor. Em 1º de maio, entrou em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Na segunda quinzena de julho, os Estados Unidos incluíram o café solúvel na lista de isenções da nova tarifa aplicada a produtos brasileiros, encerrando um período de quase um ano em que o produto permaneceu como o único segmento da cadeia cafeeira nacional submetido à sobretaxa.
As duas medidas, contudo, são recentes para explicar integralmente os volumes embarcados em julho. Os embarques para a União Europeia cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas. Para os Estados Unidos, as remessas voltaram a crescer em julho, com alta de 9,5% ante julho de 2025, para 1,3 mil toneladas. O efeito completo das duas mudanças comerciais tende a aparecer a partir do segundo semestre. A receita cambial acumulada nos sete primeiros meses de 2026 somou US$ 663,5 milhões, recuo de 2,5% ante o mesmo intervalo de 2025. A pequena redução da receita diante do crescimento do volume exportado reflete a queda das cotações internacionais em relação aos níveis excepcionais registrados em 2025. O Brasil embarcou volume significativamente maior de café solúvel, enquanto a receita permaneceu próxima à registrada no ano anterior. Os Estados Unidos continuam como principal destino do café solúvel brasileiro, com 8,4 mil toneladas adquiridas entre janeiro e julho, montante 12% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
A comparação considera que todo o intervalo de 2026 transcorreu sob a sobretaxa norte-americana, vigente desde agosto de 2025, enquanto os sete primeiros meses de 2025 ainda ocorreram antes da aplicação da medida. Nesse contexto, o resultado de julho ganha relevância. Mesmo em comparação com uma base ainda livre de tarifas, o mês registrou 1,3 mil toneladas embarcadas aos Estados Unidos, alta de 9,5%, representando o primeiro sinal de recuperação do fluxo antes da entrada em vigor da isenção, que ocorreu apenas nos últimos dias de julho. A Argentina aparece na sequência entre os principais destinos, com 4,6 mil toneladas e queda de 9,6% na comparação anual. A Rússia também recebeu 4,6 mil toneladas, mas apresentou crescimento de 21,9%. Entre os principais destinos do café solúvel brasileiro em 2026, destacam-se países que são grandes e tradicionais fabricantes do produto e que, mesmo assim, ampliaram as compras do Brasil. A Colômbia ocupa a quarta posição, com 3,4 mil toneladas, alta de 145,7% ante 2025. A Indonésia vem na sequência, com 3,2 mil toneladas e crescimento de 49,6%.
O México aparece na nona posição, com 2,3 mil toneladas e avanço de 33,2%, enquanto o Vietnã encerra o grupo dos dez maiores compradores, com 2,2 mil toneladas e aumento de 67,2%. O avanço das compras por esses mercados reforça a competitividade da indústria brasileira de café solúvel, que amplia sua participação inclusive no abastecimento de países com produção própria e concorrência direta no segmento. O bloco europeu também apresenta forte crescimento entre os principais destinos. A Polônia ocupa a sexta posição, com aumento de 40,6% nas compras. A Estônia está em sétimo lugar, com crescimento de 103,4%, enquanto os Países Baixos aparecem na oitava posição, com avanço de 36,9%. Os três países estão entre os dez maiores compradores e registraram expansão expressiva ante 2025, em linha com o crescimento de 51,4% dos embarques brasileiros para a União Europeia desde maio. No mercado interno, o consumo de café solúvel pelos brasileiros alcançou 17,3 mil toneladas, equivalentes a 751 mil sacas de 60 Kg, nos sete primeiros meses de 2026, aumento de 14,4% ante o volume registrado entre janeiro e julho de 2025.
O crescimento do consumo doméstico está relacionado à ampliação da variedade de produtos oferecidos pela indústria nacional. O mercado passou a contar com maior diversidade de cafés solúveis, incluindo versões orgânicas, descafeinadas, premium e de excelência, ampliando as opções para diferentes momentos de consumo e contribuindo para uma percepção maior de qualidade da categoria. Além da preparação da bebida, o café solúvel vem ganhando espaço como ingrediente em diferentes produtos, incluindo bebidas prontas para beber e produtos em pó. O aumento do consumo desses produtos, especialmente aqueles associados à proteína, amplia as possibilidades de utilização do café solúvel como ingrediente em formulações voltadas à reposição e à suplementação proteica. A ampliação da oferta também contribui para reduzir a percepção negativa historicamente associada ao café solúvel. A maior variedade disponível, combinada à praticidade de preparo e aos investimentos das indústrias, favorece uma percepção mais ampla sobre a diversidade e a qualidade dos produtos e sustenta a trajetória de crescimento gradual do consumo doméstico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.