12/Aug/2026
Com a colheita da safra 2026/27 praticamente concluída e a primavera se aproximando, a atenção do produtor de café já se volta à floração e à adubação da lavoura que vai formar a temporada 2027/28. Diferentemente de maio, quando o foco ainda era a colheita, os fertilizantes estavam em alta e os insumos ainda não faziam parte do calendário, agora, com os trabalhos de campo finalizados, cafeicultores já se preparam para retomar a aplicação de fertilizantes nitrogenados, além de dar sequência a plantios, reformas e renovações de lavouras, favorecidos pelo cenário de preços elevados do café. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada vem aumentando no Brasil, favorecida pelos preços atrativos.
Em 2026, a área deve somar 2,33 milhões de hectares na safra 2026/27, alta de 3,5% frente ao ciclo anterior. Ao que tudo indica, com os preços atuais, caso produtores já tenham se organizado e encomendado as mudas, é bem provável que a área de café siga sendo renovada e que possa apresentar novamente algum aumento para 2027. Esse movimento de expansão e retomada da adubação ocorre em um momento de melhora no poder de compra do café frente aos fertilizantes. Entre maio até este início de agosto, a relação de troca (quantidade de sacas de 60 Kg de café necessárias para comprar uma tonelada de fertilizante) ficou mais favorável ao cafeicultor frente aos quatro insumos (ureia, supersimples, KCl e formulado 20-00-20), com destaque para a ureia.
A relação caiu de 2,99 sacas de 60 Kg de café por tonelada em maio deste ano para 2,23 sacas de 60 Kg por tonelada neste início de agosto, alívio ao produtor de praticamente 25,4%. O formulado 20-00-20 seguiu direção parecida, de 1,91 para 1,45 saca de 60 Kg por tonelada. Entre os fosfatados, a melhora foi mais tímida. A relação de troca do supersimples saiu de 1,48 para 1,39 saca de 60 Kg por tonelada no mesmo comparativo. O movimento reflete a pressão de custos sobre a cadeia do fosfato, com a valorização do enxofre, matéria-prima do ácido sulfúrico utilizado no ataque da rocha fosfática para obtenção do supersimples, sustentando os preços do insumo mesmo com o café mais valorizado. Quanto ao cloreto de potássio (KCl), a relação de troca ficou praticamente estável, passando de 1,70 em maio para 1,64 saca de 60 Kg por tonelada neste mês.
Em agosto, no estado de São Paulo, os preços médios da ureia estão em R$ 3.851,31 por tonelada, do KCl, em R$ 2.826,27 por tonelada, do formulado 20-00-20, em R$ 2.500,00 por tonelada e do supersimples, em R$ 2.399,14 por tonelada. Apesar da melhora recente e da valorização do café, o poder de compra do café por fertilizantes segue abaixo do observado um ano atrás. Em agosto de 2025, era necessária 1,61 saca de 60 Kg de café para adquirir 1 tonelada de ureia, 1,28 saca de 60 Kg por tonelada do 20-00-20, 1,35 saca de 60 Kg por tonelada do KCl e 1,04 saca de 60 Kg por tonelada do supersimples, relações mais favoráveis do que as atuais. Esse contexto reforça a importância do planejamento da adubação para a safra 2027/28 nesse cenário ainda mais apertado que o de 2025. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.