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06/Aug/2026

Brasil: El Niño coloca próxima safra de café no radar

O mercado de café brasileiro mantém atenção voltada para o desenvolvimento da safra 2027, ainda em fase inicial de formação, diante da possível influência do fenômeno climático El Niño. Segundo a StoneX, o Brasil está colhendo uma safra recorde de café arábica, mas o comportamento das chuvas nos próximos meses será determinante para definir os impactos do fenômeno sobre a próxima temporada. Precipitações fora do período habitual já provocaram floradas antecipadas em algumas regiões produtoras, aumentando a preocupação de produtores e compradores quanto ao desenvolvimento das lavouras. A consultoria avalia que o principal risco não está na ocorrência da floração precoce, mas no possível avanço antecipado dos frutos, que ficariam mais expostos a períodos de estiagem ou temperaturas elevadas antes do momento adequado de desenvolvimento.

As chuvas registradas durante o inverno em áreas produtoras de Minas Gerais e São Paulo também afetaram a safra atual, dificultando a secagem dos grãos e elevando o risco de fermentação em alguns lotes. A umidade favoreceu ainda o surgimento de floradas isoladas antes do período tradicional, o que pode resultar em uma maturação menos uniforme da próxima safra. Até o momento, porém, não foram identificados sinais de perdas relevantes de produção. O histórico do El Niño mostra que o fenômeno não apresenta efeito necessariamente negativo para a cafeicultura brasileira. Em ciclos anteriores, esteve associado tanto a safras maiores quanto menores, refletindo a maior volatilidade das condições climáticas.

Os padrões meteorológicos na maior parte das regiões produtoras permanecem próximos da normalidade, com previsões indicando volumes de chuvas próximos ou acima da média em algumas áreas nos próximos meses. O período entre o fim de agosto e setembro será considerado decisivo para a definição da próxima safra, pois marca o retorno das chuvas regulares e o principal período de florescimento das lavouras. Uma florada ampla e concentrada no período adequado tende a favorecer uma produção mais elevada, enquanto irregularidades climáticas podem comprometer a uniformidade da colheita. Apesar do aumento do monitoramento climático, os indicadores atuais ainda não apontam para um cenário crítico. O mercado deve acompanhar a evolução do El Niño até o fim do ano, principalmente em relação ao comportamento das chuvas nas principais regiões produtoras de café do País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.