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31/Jul/2026

Revisada projeção do superávit global em 2026/27

A Hedgepoint Global Markets reduziu sua projeção de superávit mundial de café para a safra 2026/27, de 9,9 milhões de sacas de 60 Kg para 8,2 milhões de sacas de 60 Kg, refletindo revisões para baixo nas estimativas de produção em alguns países produtores em razão da irregularidade das chuvas. Apesar do ajuste, o excedente ainda será suficiente para recompor parcialmente os estoques globais, embora o fortalecimento do El Niño permaneça como o principal fator de risco para a oferta mundial nos próximos meses. Existe probabilidade superior a 70% de o El Niño atingir intensidade muito forte entre agosto e novembro, período considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras em importantes regiões produtoras. Esse cenário poderá comprometer a produção em diversas origens e provocar novas revisões no balanço global à medida que os países iniciem suas colheitas entre outubro e novembro.

No Vietnã, a menor precipitação já motivou um corte na estimativa de produção, com possibilidade de novas reduções caso as condições climáticas permaneçam desfavoráveis. Na Indonésia, as preocupações concentram-se sobre o desenvolvimento da safra 2027/28, enquanto, na América Central, a irregularidade das chuvas também representa risco para a produção de café arábica. Na Colômbia, as condições climáticas seguem próximas da normalidade, embora o El Niño ainda possa afetar a colheita da segunda safra, conhecida como Mitaca. Mesmo com a expectativa de safra recorde no Brasil garantindo um excedente global em 2026/27, os estoques mundiais permanecem reduzidos e que os riscos climáticos em outras origens tendem a limitar uma pressão baixista mais intensa sobre os preços internacionais. As cotações do café, especialmente do arábica, deverão continuar apresentando elevada volatilidade.

Além dos fundamentos de oferta e demanda, fatores macroeconômicos, indicadores técnicos, posicionamento dos fundos de investimento e o aumento das margens exigidas nas operações futuras reduziram a liquidez e ampliaram as oscilações do mercado. Os spreads entre os contratos futuros continuam refletindo preocupações com a disponibilidade de café no curto prazo. Entre os fatores que sustentam esses diferenciais estão os atrasos na colheita brasileira, a oferta mais restrita em outras origens, os riscos associados ao fortalecimento do El Niño e a redução dos estoques certificados pela ICE. No Brasil, a colheita da safra 2026/27 segue atrasada em relação aos anos anteriores em decorrência das chuvas persistentes registradas em junho, que dificultaram os trabalhos de campo e prejudicaram a qualidade de parte dos grãos durante a secagem. Ainda assim, a expectativa de produção recorde, avaliando que os atrasos não comprometeram o volume total da safra.

A comercialização permanece em ritmo inferior ao observado no ciclo anterior. As exportações de café arábica seguem abaixo da média histórica, enquanto os embarques de robusta começam a avançar com a evolução da colheita. A inclusão do café instantâneo brasileiro entre os produtos isentos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos tende a favorecer as exportações brasileiras, considerando a importância do mercado norte-americano para esse segmento. Embora o avanço da colheita brasileira deva ampliar a disponibilidade exportável e exercer pressão sobre os preços nos próximos meses, os riscos climáticos associados ao El Niño, os baixos estoques nos países consumidores e os possíveis impactos sobre as safras 2027/28 no Brasil e na Indonésia deverão continuar influenciando a formação das cotações internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.