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27/Jul/2026

Café: exclusão de tarifas preserva mercado dos EUA

O café brasileiro foi excluído da nova rodada de tarifas dos Estados Unidos, medida que preserva um mercado de aproximadamente US$ 2,5 bilhões anuais para o setor exportador. A decisão mantém sem sobretaxas as vendas de café verde, torrado e moído e café solúvel brasileiros destinadas ao mercado norte-americano. A exclusão ocorreu no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre medidas de combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas de cerca de 60 países.

O Brasil estava incluído entre as economias sujeitas às tarifas adicionais de 10% e 12,5%, mas o café foi incluído na lista de exceções definida pelos Estados Unidos. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a manutenção do acesso sem tarifas adicionais representa a preservação de um dos principais mercados da cafeicultura nacional. O resultado foi atribuído à atuação conjunta do Cecafé com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA), entidade que representa a indústria cafeeira norte-americana.

Ao longo de mais de um ano, as entidades realizaram mais de cem reuniões com representantes dos Departamentos de Comércio, Estado e Agricultura dos Estados Unidos, além do USTR, para apresentar informações sobre a relevância do café brasileiro para consumidores, indústria e economia norte-americana. Durante o processo de investigação, a NCA também participou de audiência pública para defender as práticas trabalhistas adotadas pela cafeicultura brasileira e apresentar informações sobre os mecanismos de fiscalização existentes no País. Entre os dados apresentados pelo setor estão mais de 58 mil fiscalizações realizadas no campo nos últimos anos, com menos de 1% dos casos relacionados a problemas envolvendo direitos humanos.

O setor também destacou a redução de 25,4% da chamada lista suja do trabalho análogo ao escravo desde janeiro, além de iniciativas de capacitação desenvolvidas por meio do Pacto pelo Trabalho Decente e do Programa de Trabalho Sustentável. O Cecafé informou ainda que mais de 600 técnicos multiplicadores foram capacitados para orientar produtores de café sobre contratação regular e formalização da mão de obra, com o objetivo de ampliar práticas de conformidade trabalhista e fortalecer uma agenda permanente de educação e capacitação no campo.

Outro argumento apresentado às autoridades norte-americanas foi a importância do café brasileiro para o abastecimento dos Estados Unidos. O Brasil responde por aproximadamente 34% do mercado norte-americano de café, enquanto mais de 70% da população dos Estados Unidos consome a bebida. A decisão norte-americana também reconheceu a relevância da indústria brasileira de café solúvel para a estabilidade dos preços ao consumidor e para o abastecimento da indústria local. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.