19/Jun/2026
Segundo o Itaú BBA, um episódio de El Niño mais intenso, classificado como fator de elevação relevante do risco climático global, tende a representar ameaça significativa à produção mundial de café ao alterar o regime de chuvas, o calendário de desenvolvimento das plantas e as condições de temperatura no segundo semestre. O cenário pode comprometer simultaneamente produtividade e qualidade em regiões produtoras relevantes. No Brasil, principal produtor global, o risco central está associado à maior irregularidade das chuvas, com substituição de um padrão de transição gradual entre estação seca e período chuvoso por uma distribuição mais errática das precipitações, com eventos concentrados e períodos prolongados de estiagem.
Esse comportamento reduz a previsibilidade hídrica essencial para o café, cultura dependente de uma fase seca seguida por chuvas regulares para indução e manutenção da florada. Nesse contexto, aumenta a probabilidade de floradas antecipadas e desuniformes, com chuvas isoladas no fim do inverno estimulando abertura precoce das flores, mas sem manutenção adequada de umidade, o que eleva o risco de abortamento floral e reduz o pegamento dos frutos. Atrasos no início das chuvas de primavera, especialmente entre setembro e outubro, podem resultar em safra mais heterogênea e com menor potencial produtivo. Outro vetor de pressão é o aumento do estresse térmico associado ao fenômeno El Niño, que tende a elevar temperaturas e intensificar a perda de umidade do solo.
No café arábica, esse conjunto de condições pode provocar abortamento de flores, enchimento irregular dos grãos, redução de qualidade e, em cenários mais severos, maturação acelerada e menor peso final. Os impactos também se estendem a outras origens produtoras. Na Colômbia, o regime de chuvas pode ser desorganizado, com maior risco de disseminação de pragas e doenças. Na América Central, países como Guatemala e Honduras enfrentam aumento do risco de seca e calor, com impacto direto sobre produtividade. Na Ásia, especialmente Vietnã e Indonésia, grandes produtores de robusta, condições mais secas e quentes podem limitar o desenvolvimento dos grãos e afetar tanto a safra corrente quanto a florada da temporada seguinte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.