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09/Jun/2026

Colheita no Brasil amplia pressão sobre os preços

O avanço da colheita de café no Brasil continua aumentando a disponibilidade do produto e reforçando as expectativas de maior oferta global, cenário que mantém pressão sobre as cotações internacionais da commodity. Levantamento da StoneX indica que a colheita de café arábica alcançou 23% da área cultivada até o final da última semana, avanço em relação aos 16% registrados na semana anterior. No caso do café conilon, os trabalhos atingiram 42% da área, ante 33% na semana precedente. O aumento do ritmo da colheita ocorre em um contexto de perspectivas amplamente favoráveis para a oferta mundial. A expectativa de uma safra recorde no Brasil permanece como o principal fator de pressão para os preços, à medida que maiores volumes chegam ao mercado físico e ampliam a disponibilidade para exportação. As projeções de produção reforçam esse cenário. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a safra brasileira de café 2026/27 em 71 milhões de sacas de 60 Kg.

Embora inferior à projeção da StoneX, de 75,3 milhões de sacas de 60 Kg, o volume ainda representa um recorde para o País. No contexto global, o USDA projeta crescimento de 6,4% na produção mundial de café na temporada 2026/27, fortalecendo a percepção de oferta abundante entre os principais países produtores. Além do desempenho brasileiro, a recuperação da produção colombiana durante maio também contribuiu para o enfraquecimento das cotações. O aumento da disponibilidade em importantes origens exportadoras ampliou a pressão sobre os mercados futuros. Na última semana, os contratos de café arábica negociados em Nova York acumularam queda de 7,6%, atingindo os menores níveis em mais de um ano e meio. No mercado de Londres, os contratos de café robusta recuaram 4,6% no mesmo período. Apesar do cenário predominantemente baixista, o mercado segue monitorando as condições climáticas durante o inverno brasileiro.

Temperaturas próximas de 5°C em regiões produtoras de arábica podem gerar volatilidade e preocupações relacionadas à ocorrência de geadas, fator tradicionalmente acompanhado pelos participantes do mercado. Do ponto de vista dos fundamentos, a combinação entre safra recorde no Brasil, crescimento da produção mundial e recuperação de importantes países produtores continuam favorecendo um ambiente de preços mais fracos. Embora indicadores técnicos apontem condição de sobrevenda e possibilidade de correções pontuais, o mercado ainda não identifica níveis de resistência capazes de interromper de forma consistente o movimento de baixa. Outro fator que reforça a pressão sobre as cotações é o aumento das posições vendidas por fundos de investimento, que seguem ampliando suas apostas em continuidade da tendência baixista observada no mercado internacional de café. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.