05/Jun/2026
O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília estimou a produção brasileira de café em 71,9 milhões de sacas de 60 Kg na safra 2026/27, volume 14% superior à previsão de 63 milhões de sacas de 60 Kg para 2025/26. O avanço é atribuído à bienalidade positiva do café arábica, às condições climáticas favoráveis observadas durante o desenvolvimento das lavouras e aos elevados preços internacionais, que estimularam investimentos e expansão da área cultivada. A produção de café arábica deverá alcançar 47,5 milhões de sacas de 60 Kg, crescimento de 25% em relação às 38 milhões de sacas de 60 Kg estimadas para a temporada anterior. O desempenho reflete o ciclo de maior produtividade característico da bienalidade positiva, além da ampliação da área cultivada e da adoção de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. Para o café robusta/conilon, a projeção é de 24,4 milhões de sacas de 60 Kg, recuo de 2,4% em comparação com as 25 milhões de sacas de 60 Kg estimadas para 2025/26.
A redução é atribuída às condições climáticas menos favoráveis, incluindo períodos de temperaturas mais baixas e excesso de chuvas em algumas regiões produtoras. O consumo brasileiro de café deverá atingir 22,39 milhões de sacas de 60 Kg em 2026/27, aumento de 0,5% em relação às 22,28 milhões de sacas de 60 Kg do ciclo anterior. O mercado interno apresentou sinais de recuperação nos primeiros meses de 2026 após a retração observada em 2025, quando os preços elevados reduziram o ritmo de consumo. As exportações brasileiras de café estão projetadas em 49,07 milhões de sacas de 60 Kg em 2026/27, avanço de 30% sobre as 37,87 milhões de sacas de 60 Kg estimadas para a safra anterior. A expectativa de maior disponibilidade de produto no mercado é o principal fator por trás da recuperação dos embarques. Entretanto, os estoques internos reduzidos provocaram queda de 24% nas exportações entre janeiro e abril de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A tendência é de recuperação dos embarques ao longo do segundo semestre, acompanhando a entrada da nova safra nos canais de comercialização. Entre os principais destinos do café brasileiro nos primeiros quatro meses de 2026, a Alemanha permaneceu na liderança, seguida por Estados Unidos e Itália. Apesar das perspectivas positivas para a safra 2026/27, o USDA alerta para possíveis impactos climáticos sobre a produção futura. A possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño poderá provocar temperaturas acima da média e alterações no regime de chuvas durante o desenvolvimento da safra 2027/28, aumentando os riscos para a produtividade das lavouras. A combinação entre recuperação da produção, crescimento das exportações e manutenção do consumo interno deverá reforçar a posição do Brasil como principal fornecedor mundial de café. Entretanto, a evolução das condições climáticas continuará sendo um dos principais fatores de monitoramento para o setor nos próximos ciclos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.