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01/Jun/2026

Café: agricultura regenerativa amplia produtividade

A adoção da agricultura regenerativa na cafeicultura brasileira vem avançando como estratégia de aumento de produtividade, redução de custos e fortalecimento da rentabilidade nas propriedades produtoras. O sistema prioriza práticas voltadas à recuperação do solo, retenção de água, biodiversidade e fortalecimento biológico das lavouras, reduzindo a dependência de insumos e ampliando a resiliência climática. Projeto piloto conduzido pela JDE Peet’s, detentora das marcas Pilão e L’Or, em parceria com a Syngenta, reúne 30 propriedades localizadas nas regiões do Cerrado Mineiro (MG), Sul de Minas (MG) e Mogiana (SP). A iniciativa, com duração de dois anos e atualmente em fase inicial de colheita da safra 2026, demonstra ganhos produtivos e econômicos associados ao manejo regenerativo. Na Fazenda Nonno Marchi, em Serra Negra (SP), o manejo regenerativo foi ampliado de 3 hectares para 17,5 hectares após os resultados obtidos no primeiro ciclo de 2025. A propriedade cultiva variedades de café arábica Catuaí, Mundo Novo, Arara Amarelo, Tupi e Obatã.

Segundo os dados do projeto, a produtividade média da área regenerativa alcançou 58,5 sacas de 60 Kg por hectare, desempenho 46% superior ao manejo convencional, cuja média é de 34,4 sacas de 60 Kg por hectare, conforme referência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O uso de plantas de cobertura também proporcionou redução de 10% a 15% nos gastos com fertilizantes. Em regiões de cultivo de sequeiro, a melhoria da retenção de água e nutrientes no solo passou a contribuir para maior eficiência nutricional das plantas. As avaliações técnicas apontaram ainda expansão de 100% no volume radicular das plantas sob manejo regenerativo. O fortalecimento do sistema radicular melhora a absorção de água e nutrientes, amplia a emissão de novas radículas e favorece o desenvolvimento vegetativo do cafeeiro. Os ganhos agronômicos também refletiram na qualidade da bebida. Em 2025, a Fazenda Nonno Marchi conquistou o primeiro lugar em três categorias de concurso regional (natural, microlote e fermentado) com cafés alcançando entre 89 e 90 pontos.

Atualmente, cerca de 10% da produção da propriedade é comercializada via e-commerce da marca, enquanto 30% são vendidos diretamente na fazenda por meio do turismo rural e entre 30% e 40% destinados à Coopercitrus. Regionalmente, o projeto registrou ganhos médios de produtividade de 7 sacas de 60 Kg por hectare no Cerrado Mineiro e na Mogiana, enquanto no Sul de Minas o incremento alcançou 14 sacas de 60 Kg por hectare. Outro efeito observado foi a redução da bienalidade do café arábica e o fortalecimento biológico das plantas contra pragas e doenças. O manejo regenerativo favoreceu mecanismos naturais de antibiose, reduzindo a incidência de microrganismos nocivos e permitindo o controle biológico de pragas como a broca-do-café, cuja ocorrência foi eliminada na propriedade modelo em Serra Negra. A avaliação das empresas participantes é de que o equilíbrio biológico proporcionado pelo manejo regenerativo tende a consolidar ganhos econômicos e ampliar a sustentabilidade produtiva da cafeicultura brasileira no médio e longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.