25/May/2026
Segundo o escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em San Jose, a produção de café da Costa Rica no ano-safra 2026/27 deve alcançar 1,2 milhão de sacas de 60 Kg, crescimento de 3,5% em relação ao ciclo anterior. Apesar de o próximo ciclo corresponder ao período de alta do ciclo bienal da cultura, o avanço projetado é considerado limitado diante de fatores econômicos e climáticos que seguem pressionando o setor cafeeiro do país. Entre os principais desafios estão a valorização do Colón frente ao dólar, os elevados custos de fertilizantes e a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño. A principal preocupação da cadeia produtiva é a valorização da moeda costa-riquenha, que acumulou apreciação de aproximadamente 35% desde meados de 2022.
Como grande parte do café produzido é exportada em contratos denominados em dólar, a conversão cambial reduziu significativamente a receita dos produtores em moeda local, comprometendo a rentabilidade das lavouras. Mesmo com os preços internacionais do café em níveis historicamente elevados, a renda dos agricultores em Colón tende a ficar abaixo da registrada no ciclo anterior. O cenário eleva o risco de redução nos investimentos em manejo das lavouras, especialmente na aplicação de fertilizantes, em razão dos custos elevados dos insumos agrícolas. O Instituto Meteorológico Nacional da Costa Rica também indicou que o fenômeno El Niño deverá afetar o país no segundo semestre de 2026, com potencial de redução de até 30% no volume de chuvas em algumas regiões.
Embora as áreas cafeeiras possam sofrer impacto menos severo, a intensidade dos efeitos dependerá do momento de ocorrência do fenômeno durante o desenvolvimento da safra. As exportações de café da Costa Rica em 2026/27 são estimadas em 1,06 milhão de sacas, acompanhando o aumento esperado da produção. Os Estados Unidos permanecem como principal destino das exportações costa-riquenhas, respondendo por 39,6% do volume embarcado no ciclo 2024/25, embora essa participação venha apresentando redução gradual nos últimos anos. A União Europeia aparece como segundo principal mercado consumidor. A Costa Rica importa cafés de menor valor, principalmente da Nicarágua e de Honduras, para atender ao consumo interno, enquanto direciona a maior parte da produção doméstica de maior qualidade ao mercado externo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.