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13/May/2026

Exportações de café ganham suporte da nova safra

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações brasileiras de café mostraram recuperação moderada em volume em abril, impulsionadas principalmente pela entrada da nova safra de cafés canéforas (conilon e robusta), mas o setor segue enfrentando pressão sobre a receita cambial em razão do recuo das cotações internacionais. Dados indicam embarques de 3,122 milhões de sacas de 60 Kg no mês, avanço de 0,6% ante abril de 2025. Em contrapartida, a receita caiu 17,7%, para US$ 1,109 bilhão. O desempenho reforça uma mudança relevante no perfil da oferta brasileira em 2026. Após um período de menor disponibilidade de café arábica, os embarques passam a contar com maior participação dos cafés robusta e conilon, cuja produção vem se recuperando de forma mais consistente.

No acumulado de janeiro a abril, as exportações de canéforas cresceram 58,8%, para 1,284 milhão de sacas de 60 Kg, enquanto os embarques de arábica recuaram 23,4%, para 8,984 milhões de sacas de 60 Kg. A combinação de maior oferta de robusta e retração dos preços internacionais ajuda a explicar a queda da receita cambial. Depois das máximas históricas registradas em 2025, o mercado internacional passou a precificar expectativa de recomposição gradual da oferta global, especialmente no segmento de robusta. Além disso, compradores internacionais passaram a adotar postura mais cautelosa diante do elevado custo financeiro e do enfraquecimento do consumo em alguns mercados. Mesmo com o leve crescimento dos embarques em abril, o acumulado do ano civil ainda mostra retração relevante.

Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 11,619 milhões de sacas de 60 Kg, queda de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita no quadrimestre caiu 14,4%, para US$ 4,490 bilhões. O comportamento dos principais destinos evidencia desaceleração importante em mercados tradicionalmente compradores. Os Estados Unidos reduziram as compras em 41,5% no acumulado do ano, para 1,390 milhão de sacas de 60 Kg. O Japão também apresentou retração expressiva, de 29,7%. A Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro, apesar da queda de 12,8% nas aquisições. Outro ponto de atenção é o desempenho dos cafés diferenciados, segmento que vinha sustentando parte relevante da agregação de valor das exportações brasileiras.

Os embarques dessa categoria caíram 36,3% no primeiro quadrimestre, para 2,076 milhões de sacas de 60 Kg, enquanto a receita recuou 34,9%, para US$ 919,9 milhões. O movimento sugere maior seletividade dos consumidores globais e possível migração para produtos de menor valor agregado diante do ambiente econômico mais restritivo. No curto prazo, o mercado deve seguir atento ao avanço da colheita brasileira e ao comportamento da safra de robusta, que tende a ganhar participação na pauta exportadora ao longo dos próximos meses. Ao mesmo tempo, o setor monitora o ritmo da demanda internacional e a trajetória das bolsas, fatores que continuarão determinando a capacidade de recuperação da receita cambial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.