12/May/2026
Segundo o Itaú BBA, os preços do café tendem a permanecer em trajetória de enfraquecimento nos próximos meses, diante do avanço da colheita brasileira e da expectativa de recuperação significativa da oferta na safra 2026/27. Mesmo com o conflito no Oriente Médio provocando correções em parte das commodities agrícolas, o café continuou registrando perda de força ao longo de abril e no início de maio, refletindo perspectivas mais favoráveis para a oferta global no segundo semestre. A projeção é de crescimento de 15% na produção brasileira de café em 2026/27.
No caso do arábica, a expectativa é de recuperação ainda mais expressiva, com avanço de 25% na oferta e produção estimada em 47,5 milhões de sacas de 60 Kg. Para as exportações, a estimativa de embarques está entre 38 milhões e 40 milhões de sacas no ano-safra 2025/26. No ciclo seguinte, entre julho de 2026 e junho de 2027, a disponibilidade exportável pode alcançar cerca de 50 milhões de sacas de 60 Kg, impulsionada pela maior produção nacional. O diferencial de preços entre arábica e robusta tende a diminuir gradualmente, com maior pressão de ajuste sobre o arábica.
Esse movimento deve ganhar intensidade à medida que a colheita avance e aumente a entrada de café novo no mercado. Apesar da curva futura do arábica seguir invertida, sinalizando preços mais baixos para setembro de 2026, abaixo de 270,00 centavos de dólar por libra-peso, cerca de 5% inferiores aos observados um mês antes, o Itaú BBA alerta para a possibilidade de novos ajustes negativos caso não ocorram eventos climáticos adversos durante o inverno.
No curto prazo, o principal fator de atenção passa a ser a evolução das frentes frias e o risco de geadas. Eventuais impactos climáticos atingiriam principalmente a próxima safra, mas poderiam alterar o cenário atual de expectativa de preços mais baixos no segundo semestre. O relatório também destaca a necessidade de monitorar a antecipação do fenômeno El Niño. Um inverno mais úmido pode provocar atrasos na colheita, além de ampliar os desafios relacionados à secagem dos grãos e à qualidade do café. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.