15/Apr/2026
As exportações brasileiras de café na safra 2025/26 acumulam perdas expressivas frente às da temporada anterior. Entre julho de 2025 e março de 2026, os embarques totalizaram 29,09 milhões de sacas de 60 Kg, forte recuo de 21,2% em relação ao mesmo intervalo da temporada 2024/25, quando foram exportadas 36,91 milhões de sacas de 60 Kg. O volume parcial é o menor registrado para esse período desde 2022/23. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em março de 2026, especificamente, as exportações brasileiras de café totalizaram 3,04 milhões de sacas de 60 Kg, volume 15,4% superior ao registrado em fevereiro, quando os embarques ficaram em 2,63 milhões de sacas. Apesar da recuperação mensal, o ambiente segue restritivo: a combinação entre produção menor na safra 2025/26 e estoques nacionais historicamente curtos limitam o ritmo de saídas externas.
Nesse contexto, os produtores já dispõem de pouco café da safra atual para negociar e, capitalizados pelos altos preços obtidos ao longo da temporada, não demonstram pressa em comercializar os volumes remanescentes. Diante disso, esse quadro de exportação contida tende a persistir até que a colheita da temporada 2026/27 ganhe corpo, o que deve ocorrer de forma mais consistente a partir de meados de maio. Apesar do recuo nos preços, com o café brasileiro sendo negociado a US$ 370,23 por saca de 60 Kg em março de 2026 contra US$ 401,87 por saca de 60 Kg há um ano, a receita acumulada da safra 2025/26 segue superior à da temporada anterior. Entre julho de 2025 e março de 2026, os embarques geraram US$ 11,43 bilhões, volume 2,9% acima dos US$ 11,1 bilhões registrados no mesmo período da safra 2024/25. O resultado evidencia que os altos valores praticados no início da temporada foram suficientes para sustentar uma receita acumulada mais robusta até aqui.
Contudo, o cenário para os meses restantes é menos favorável: os preços atuais estão abaixo dos praticados nos mesmos meses da safra 2024/25, e o volume embarcado deve encerrar a temporada cerca de 20% menor. Essa combinação torna provável que a receita total da safra 2025/26 fique abaixo da registrada na temporada anterior. Com abril, maio e junho ainda por completar a safra 2025/26, a perspectiva é de encerramento bem abaixo da temporada anterior. Caso o ritmo médio de embarques registrado ao longo da safra se mantenha nos meses restantes, as exportações devem alcançar, no máximo, algo perto de 35 milhões de sacas, volume 23% inferior ao fechamento de 45,61 milhões registrado na safra 2024/25. Embarques de 35 milhões de sacas de 60 Kg representariam o menor volume escoado pelo Brasil desde a safra 2017/18. Vale destacar que maio e junho devem ser beneficiados pelo início da colheita da nova safra, o que pode incrementar os estoques disponíveis para exportação, mas dificilmente em volume suficiente para alterar de forma significativa o resultado final da temporada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.