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01/Apr/2026

Preços do arábica e robusta em movimentos distintos

Após um mês de fevereiro de forte queda nas cotações dos cafés arábica e robusta no mercado brasileiro, março se encerrou com movimentos distintos entre os valores das duas variedades. Enquanto o preço do arábica voltou a subir em março, ainda em função da oferta limitada e de preocupações geopolíticas, o preço do robusta seguiu enfraquecido em boa parte de março, uma vez que a oferta da variedade é um pouco maior que a do arábica. Além disso, a proximidade da colheita também reforça o movimento de baixa no preço do robusta. Em março, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, teve média de R$ 1.915,14 por saca de 60 Kg, alta de R$ 47,63 por saca de 60 Kg (ou de 2,55%) em relação à de fevereiro. Vale destacar que, ao longo do mês passado, os preços da variedade chegaram a se aproximar dos R$ 2.000,00 por saca de 60 Kg. De forma geral, as instabilidades geopolíticas ao redor do globo exerceram influência positiva sobre as cotações da variedade.

O conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, trouxe preocupações quanto ao trânsito de café da Ásia para os mercados consumidores da Europa e dos Estados Unidos, além de ter encarecido o frete marítimo, principal meio de transporte do produto. Apesar de o conflito ter gerado impactos diretos nos preços do café, a principal preocupação do setor nacional neste momento está relacionada aos custos de produção. O óleo diesel subiu 24,4% em março em Minas Gerais, segundo Agência Nacional do Petróleo (ANP), e os adubos nitrogenados utilizados nas adubações de cobertura, embora não estejam sendo aplicados neste momento nas lavouras, já registraram valorização próxima de 30% no estado de São Paulo, como no caso da ureia. A valorização do arábica em março superou até mesmo o impacto vindo das boas projeções de safra no Brasil para a colheita 2026/27, que deve ganhar ritmo entre maio e junho.

A safra é aguardada com expectativa positiva, pois pode representar a primeira colheita recorde no Brasil após cinco temporadas em que a produção da variedade ficou aquém do potencial produtivo, especialmente devido às condições climáticas nas principais regiões cafeeiras do País. Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, à vista, a retirar no Espírito Santo, teve média de R$ 1.024,79 por saca de 60 Kg em março, queda de 3,71% frente à média de fevereiro. Pesam sobre as cotações a proximidade da colheita e o fato de a oferta estar um pouco maior, com cafés ainda provenientes da safra 2025/26. A perspectiva é de que volumes de robusta da temporada 2026/27 comecem a ser colhidos e entrem no mercado entre abril e maio, condição que tende a pressionar as cotações.

Isso ocorre mesmo com a variedade sendo potencialmente mais influenciada por eventuais dificuldades nos envios de café da Ásia para o Ocidente, uma vez que o Vietnã, maior produtor global de robusta, vem de uma safra recente com bom volume, dentro dos patamares históricos médios da variedade. Nos últimos sete dias, especificamente, apesar do balanço do mês de março ter sido de alta, todos os preços fecharam em queda. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, registra recuo de 3,3%, cotado a R$ 1.898,90 por saca de 60 Kg. Na Bolsa de Nova York, o contrato Maio/26 tem baixa de 4,70%, cotado a 292,55 centavos de dólar por libra-peso. Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, à vista, a retirar no Espírito Santo, está cotado a R$ 966,83 por saca de 60 Kg, queda de 4,6% nos últimos sete dias. O tipo 7/8, bica corrida, à vista, a retirar no Espírito Santo, apresenta recuo de 5,45% no mesmo comparativo, para R$ 929,00 por saca de 60 Kg. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.