26/Mar/2026
O produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, considerado a primeira lenda do café especial do Brasil, está investindo no cultivo comercial de uma espécie rara, Coffea eugenioides, comparada ao Romanée-Conti dos vinhos, que tem sua saca de 60 Kg vendida por R$ 90 mil. O café arábica, tipo 6, para exportação, posto em São Paulo, fechou no dia 24 de março cotada a R$ 1.979,36 por saca de 60 Kg, segundo levantamento da Esalq/USP. Ele revela que iniciou o primeiro plantio há 10 anos e foi realizando experimentos no mercado ao longo desse período. Hoje, Pereira Filho cultiva 5 hectares com a espécie e terá uma produção de 10 sacas de 60 Kg neste ano
"Após os experimentos, comercialmente coloquei esses cafés no mercado há três anos e foi espantosa a procura. A um preço fixo de R$ 90 mil por saca de 60 Kg, tenho vendido a produção a importadores de Taiwan, Dubai, Arábia Saudita e o interesse só cresce", afirmou ele. O produtor entende que esse interesse se dá pela raridade da espécie eugenioides e pelo tipo de bebida que a espécie proporciona, com baixo teor de cafeína, muito adocicada e com paladar cítrico. "Vamos colocar o Brasil no topo do mercado de luxo do café, trazendo mais holofotes ao País, que ganhará com essa bandeira dos eugenioides sem concorrentes no processo. Para se ter ideia, posso adiantar que um cliente de Paris, na França, que quer conquistar a terceira estrela Michelin para seu restaurante, procurou-me para comprar esses meus cafés desta safra", garantiu.
Pereira Filho cultiva a espécie na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), como parte de seu “Projeto Rarus”. Conforme ele, o objetivo é transformar o Brasil no país do eugenioides e mostrar ao mundo que a nação tem condições para isso. "Não estamos falando de um café de concurso, pois não estamos vendendo ‘o prêmio’ a preços elevados, mas sim do café em si, que comercializamos por esses R$ 90 mil a preço fixo. Nessa década de experimentos, tudo que produzi o mercado consumiu, portanto, desbravamos esse caminho e agora é a hora de explorá-lo e colhermos os frutos", concluiu. Fonte: Broadcast Agro.