25/Mar/2026
O atual conflito no Oriente Médio tem impactado diretamente os mercados externo e interno de derivados de petróleo, e isso pode trazer efeitos sobre os custos de produção da cafeicultura brasileira nos próximos meses. Apesar de as altas mais expressivas possivelmente ocorrerem nos gastos com fertilizantes, que representam o principal desembolso nos tratos culturais das lavouras, o que mais preocupa neste momento é a valorização do diesel, uma vez que a colheita da safra 2026/27 está bem próxima. Como atualmente tem aumentado o percentual de lavouras colhidas com máquinas no Brasil, e toda a operação envolve diversas atividades com tratores, a alta no combustível tende a ser sentida mais rapidamente no campo.
Apenas em março, o preço do óleo diesel, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), subiu 23% em Minas Gerais, 20% em São Paulo e 12% no Espírito Santo. Assim, considerando-se a alta registrada até o momento nos preços dos combustíveis, caso esse movimento se mantenha, o desembolso com a atividade total de colheita na atual temporada pode aumentar aproximadamente 15%, apenas em função do avanço no preço do diesel nas operações mecânicas. Vale destacar que essa alta se refere ao custo da colheita, não representando necessariamente essa magnitude no valor final da saca produzida, mas especificamente no custo dessa etapa. No caso dos fertilizantes, o momento atual dos tratos culturais não envolve a realização de adubações mais importantes.
Isso deve ocorrer novamente no segundo semestre deste ano, com o retorno das chuvas e a execução dos manejos voltados à temporada seguinte, a 2027/28. Até lá, muitos fatores ainda podem influenciar o mercado de fertilizantes, inclusive a eventual finalização dos conflitos. Contudo, vale destacar que os insumos costumam ser adquiridos com antecedência e, assim, mesmo que a guerra seja encerrada em breve, é possível que ainda haja impactos nos custos de nutrição das plantas. Em março, as principais altas nos fertilizantes estão relacionadas aos nitrogenados, produzidos à base de petróleo, e aos fosfatados, que já vinham em trajetória de elevação desde o final do ano. Por enquanto, os fertilizantes à base de potássio têm apresentado pouca variação. Na parcial deste mês, as altas têm sido superiores a 20% para nitrogenados e fosfatados. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.