23/Mar/2026
Exportadores de café do Brasil estão organizando a defesa em resposta a uma nova investigação dos Estados Unidos baseada na seção 301 da Lei de Comércio americana, que acusa países, incluindo o Brasil, de falhas na fiscalização de práticas de trabalho forçado na produção. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que coordena a ação com a Associação Americana de Café (NCA) e participará diretamente dos debates sobre as condições de trabalho no País.
A estratégia envolve apresentação de documentos sobre a legislação trabalhista brasileira, fiscalizações realizadas nas fazendas, regras de controle rígidas e a lista suja do trabalho análogo à escravidão, sendo todos os elementos detalhados à Justiça americana durante a tramitação do processo. O setor também presta suporte ao governo brasileiro na produção de documentação por meio do Pacto Social do Café, firmado com o Ministério do Trabalho, e conta com a contratação de mais de 800 auditores fiscais do trabalho concluída no final de 2025.
Representantes do Cecafé participaram recentemente da Convenção da National Coffee Association, na Flórida, evento que reuniu cerca de 800 profissionais do setor e serviu para debater as incertezas atuais da cafeicultura. Atualmente, os cafés em grão e torrado e moído do Brasil permanecem na lista de exceções da política tarifária americana, enquanto o café solúvel segue com alíquota de 10%, passível de aumento para 15% caso o governo dos Estados Unidos decida elevar a cobrança.
As investigações fundamentadas na Lei de Comércio e denúncias relacionadas à legislação trabalhista representam risco adicional para o setor, exigindo atuação proativa na produção de informações e argumentação sobre o cenário brasileiro. O Cecafé reforça o compromisso de manter diálogo entre os setores privados do Brasil e dos Estados Unidos para apoiar decisões governamentais e reduzir ameaças comerciais. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.