18/Feb/2026
Os preços internacionais do café recuaram de forma acentuada nos últimos 30 dias, refletindo melhora das condições climáticas e maior otimismo quanto à oferta no próximo ciclo. Na 2ª quinzena de janeiro, as cotações ainda encontraram suporte na desvalorização do dólar. No início de fevereiro, contudo, os preços voltaram a cair, influenciados pela recuperação da moeda norte-americana e, principalmente, pela perspectiva de produção mais elevada em 2026/27, favorecida por chuvas regulares e temperaturas amenas nas principais regiões produtoras.
A produção brasileira em 2026 é estimada em 69,3 milhões de sacas, crescimento de 10,1% frente ao ciclo anterior. Desse total, 44,8 milhões de sacas correspondem ao arábica, com avanço de 18%, enquanto o robusta deve somar 24,5 milhões de sacas, recuo de 2%. No cenário global, a produção é projetada em 188 milhões de sacas, sustentada pelo avanço do Brasil e por maiores investimentos em outras origens. O consumo mundial deve atingir 176 milhões de sacas, resultando em superávit estimado de 11,3 milhões de sacas, ainda condicionado ao quadro de estoques reduzidos.
Apesar da perspectiva de recomposição de oferta, a disponibilidade da temporada 2025/26 permanece restrita, mantendo sensibilidade no curto prazo. A consolidação do potencial produtivo de 2026/27 depende do comportamento das chuvas até março e abril, período determinante para o desenvolvimento final dos frutos. A expectativa de precipitações consistentes nesse intervalo contribuiu para intensificar o movimento de baixa nas cotações internacionais.
Diante da melhora projetada no balanço global, fundos não comerciais reduziram suas posições líquidas compradas em futuros negociados em Nova York, sinalizando mudança de postura e reforçando a tendência de pressão sobre os preços.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.