05/Feb/2026
A safra brasileira de café 2026/27, com colheita prevista entre abril e maio, tende a apresentar recuperação relevante em relação ao ciclo anterior. A produção total é estimada em 69,3 milhões de sacas, crescimento de 10,1% frente às 63 milhões de sacas colhidas em 2025/26. O avanço é sustentado principalmente pelo desempenho do arábica, cuja produção pode alcançar 44,8 milhões de sacas, alta de 18% na comparação anual, enquanto o conilon (robusta) deve recuar levemente para 24,5 milhões de sacas, ante 25 milhões de sacas no ciclo anterior.
Mesmo com a persistência de chuvas abaixo da média em parte de 2025, temperaturas mais amenas no período de pré-florada favoreceram o pegamento das lavouras, sustentando a expectativa de recuperação produtiva do arábica. No caso do robusta, o desempenho segue positivo em regiões produtoras do Espírito Santo e da Bahia, o que contribui para a manutenção de volumes elevados, ainda que ligeiramente inferiores aos do último ciclo.
Além do fator climático, a formação de custos ao longo de 2025 foi marcada por uma relação de troca favorável entre café e fertilizantes, o que permitiu maior previsibilidade financeira ao produtor. Esse ambiente estimulou investimentos mais consistentes em tratos culturais, com reflexos positivos sobre o desenvolvimento vegetativo das plantas e o potencial produtivo da safra 2026/27.
Apesar da perspectiva de maior oferta, o mercado segue sensível às condições climáticas até a confirmação efetiva do tamanho da próxima safra, em um contexto de estoques ainda ajustados. A expectativa de crescimento da produção tende a limitar movimentos mais fortes de alta nos preços, reforçando a importância de estratégias de proteção e gestão de riscos ao longo do ciclo.
No cenário global, a produção mundial de café pode avançar para cerca de 188 milhões de sacas, impulsionada pelo crescimento no Brasil e por investimentos em outras origens. O consumo, por sua vez, deve subir de forma moderada, para aproximadamente 176 milhões de sacas, resultando em um superávit estimado em 11,3 milhões de sacas, ainda considerado restrito diante dos níveis historicamente baixos de estoques.
Após um ano marcado por elevada volatilidade, a tendência é que o aumento da oferta brasileira pressione as cotações à medida que o desenvolvimento da safra avance e as incertezas produtivas diminuam. Ainda assim, quedas acentuadas são vistas como limitadas pelos baixos estoques globais, enquanto fatores como possível moderação do consumo, diante dos preços elevados ao consumidor final, e o aumento da produção em outras origens podem restringir movimentos de alta mais consistentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.