04/Feb/2026
As melhores condições climáticas observadas em boa parte de janeiro e a expectativa de manutenção da umidade no início de fevereiro tendem a favorecer o enchimento dos grãos, etapa crucial para a safra. Diante desse cenário produtivo mais positivo, os preços do café registraram queda no mercado brasileiro ao longo do mês.
Entre 30 de dezembro e 30 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, recuou R$ 80,19 por saca de 60 kg, ou 3,7%, encerrando o dia 30 a R$ 2.094,55/sc. A média de janeiro de 2026 ficou em R$ 2.178,82/sc, o menor patamar desde outubro de 2025.
Apesar do viés mais baixista observado sobretudo no final do mês, a primeira semana cheia de janeiro foi marcada por maior movimentação no mercado físico. Após um dezembro de liquidez reduzida, as altas registradas na Bolsa de Nova York nos dias 6 e 7 estimularam negócios no Brasil, levando parte dos produtores a aproveitar o momento para recompor caixa.
A valorização do real frente ao dólar também reforçou a pressão sobre os preços internos, ainda que, em determinados momentos, o comportamento cambial tenha sustentado movimentos de alta no mercado externo. Assim, o contrato Março/26 do café arábica na ICE Futures acumulou queda de 1,3% em janeiro, encerrando o mês a 345,50 centavos de dólar por libra-peso. O dólar fechou janeiro a R$ 5,192, com desvalorização de 5,4% frente ao fim de dezembro.
No campo, a safra 2026/27 de arábica deve apresentar produção superior à da temporada anterior. Ainda assim, o clima permanece como fator de risco, já que o final de dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condição que pode comprometer a formação dos grãos e resultar em cafés chochos.
Para o robusta, produtores mantêm atenção às chuvas mais intensas no Espírito Santo, que podem elevar a incidência de doenças nas lavouras. Em Linhares, no norte capixaba, o acumulado de janeiro alcançou 370,6 milímetros, volume elevado para um único mês.
No consumo doméstico, dados da Abic indicam que, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo de café no Brasil somou 21,409 milhões de sacas, queda de 2,31% frente ao período anterior. Em sentido oposto, o faturamento do setor avançou 25,6%, para R$ 46,24 bilhões, refletindo principalmente os preços mais elevados do café ao consumidor, fator que também contribuiu para limitar a demanda.
No recorte semanal, entre 26 de janeiro e 2 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 caiu 3,9%, fechando a R$ 2.060,33/sc na segunda-feira, 2. No mesmo intervalo, o dólar recuou 0,46%, para R$ 5,257, enquanto o contrato Março/26 em Nova York despencou 6,46%, encerrando a 333,25 centavos de dólar por libra-peso. Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, recuou 10,45% no período, para R$ 1.155,13/sc, enquanto o tipo 7/8 caiu 10,2%, para R$ 1.134,08/sc. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.