05/Jan/2026
O ano de 2026 deve apresentar elevada volatilidade nas cotações do café, tanto no mercado doméstico quanto no internacional. No início do ano, os estoques permanecem apertados, mesmo com a colheita do Vietnã em andamento, o que tende a sustentar preços em patamares elevados, cenário semelhante ao observado no segundo semestre de 2025. Apesar de sinais de desaceleração da demanda em alguns mercados, a restrição na oferta continuará exercendo influência relevante sobre as cotações, mantendo suporte aos preços até que haja maior clareza sobre o enchimento dos grãos e o desempenho do último terço da safra brasileira, etapa crucial para análises mais consistentes de oferta e demanda e formação de preços.
No Brasil, a safra 2026/27 deve iniciar a colheita majoritariamente após maio de 2026 e apresenta condições climáticas mais favoráveis do que nos últimos anos, embora algumas regiões ainda enfrentem desafios. No Cerrado Mineiro, geadas ocorridas em meados de 2025 e o retorno mais consistente das chuvas apenas a partir de outubro/novembro podem atrasar o calendário da safra e afetar o desenvolvimento inicial dos cafezais. Na Mogiana Paulista, precipitações regulares também se consolidaram após novembro, impactando parcialmente a fase inicial de crescimento. Apesar desses fatores, temperaturas mais amenas contribuem para o bom estado fisiológico das plantas, favorecendo a recuperação do parque cafeeiro, que vinha sendo afetado por adversidades climáticas nas últimas cinco safras.
A safra 2026/27 é caracterizada por bienalidade positiva, o que, aliado ao clima favorável, indica aumento da produtividade. As projeções iniciais apontam produção superior a 70 milhões de sacas, considerando recuperação do arábica e bom desempenho do robusta. Para o café robusta, após safra 2025/26 expressiva, a produção de 2026/27 deve ser ligeiramente menor devido a condições climáticas menos favoráveis em algumas regiões e à necessidade de recuperação das plantas, embora o desempenho geral do Espírito Santo continue positivo, com boa carga produtiva prevista. Estimativas mais precisas dependem da consolidação do enchimento dos grãos, etapa sensível para definir o potencial produtivo. Dados mais consistentes devem ser conhecidos ao final do primeiro trimestre de 2026, informação chave para a formação de preços do café no Brasil e no mercado internacional.
Em relação às exportações, a safra 2025/26 deve registrar volume inferior ao de temporadas anteriores, devido à menor oferta e à redução da disponibilidade de café para comercialização. Nos cinco primeiros meses da safra, o Brasil exportou 17,435 milhões de sacas, gerando receita de US$ 6,723 bilhões. Comparado ao mesmo período da safra anterior, observa-se retração de 21,7% no volume embarcado, enquanto o faturamento cresceu 11,6%, refletindo preços internacionais mais elevados e efeitos de tarifas vigentes nos Estados Unidos em parte do período. A expectativa é de recuperação parcial dos embarques nos últimos meses da temporada, com redução das tarifas, mas o volume total exportado não deve superar os recordes históricos de safras anteriores. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.