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05/Jan/2026

Oferta global de café deverá crescer durante 2026

O mercado internacional acompanha com elevada expectativa a safra brasileira de café de 2026, uma vez que o País é o maior produtor mundial e poderá contribuir para aliviar o aperto da oferta global observado nos últimos anos. Nas três safras anteriores, a produção brasileira ficou abaixo do potencial esperado, impactada por eventos climáticos adversos, como geadas e períodos prolongados de estiagem. No momento, as condições climáticas nas principais regiões produtoras do País se aproximam da normalidade, com exceção de um intervalo de precipitações abaixo da média entre setembro e meados de outubro. Desde então, volumes mais regulares de chuvas vêm sendo registrados em diversas áreas cafeeiras, o que sustenta um cenário de maior otimismo quanto ao potencial produtivo da próxima temporada.

Até o mês de janeiro, as chuvas desempenham papel decisivo para o adequado pegamento e desenvolvimento inicial dos chumbinhos, que darão origem aos grãos de café. Posteriormente, entre fevereiro e abril, período que antecede a colheita, a regularidade das precipitações será fundamental para a expansão e o enchimento dos grãos. Apesar do cenário mais favorável neste momento, o ciclo ainda apresenta elevada incerteza climática, o que mantém a possibilidade de volatilidade nos preços ao longo dos próximos meses.

As adversidades climáticas não têm afetado apenas o Brasil, mas também importantes regiões produtoras em outras partes do mundo. Países da Ásia, da África e da América Central enfrentam dificuldades produtivas associadas ao clima. O Vietnã, segundo maior produtor global de café, passou por condições adversas nos últimos anos e, mesmo na safra atual, segue exposto a riscos decorrentes de tufões e tempestades. Ainda assim, a estimativa aponta para uma colheita em torno de 30 milhões de sacas de 60 quilos, próxima ao potencial produtivo do país. Brasil e Vietnã, juntos, respondem por pouco mais da metade da produção mundial de café, o que reforça a relevância das condições climáticas nessas duas origens para o equilíbrio do mercado global.

No Brasil, a primeira projeção oficial para a safra de 2026 deverá ser divulgada no fim de janeiro. Como referência, a safra de 2025 está estimada em 56,5 milhões de sacas, volume expressivo mesmo em um ano de bienalidade negativa da cultura. Esse resultado configura o terceiro maior da série histórica, ficando atrás apenas de anos marcados por bienalidade positiva, além de representar crescimento em relação à produção do ciclo anterior.

Além da expectativa de aumento da oferta, outros fatores reforçam a perspectiva de pressão adicional sobre os preços internacionais do café. Entre eles, destaca-se o fim das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao café brasileiro, com exceção do produto solúvel, que permanece sujeito a alíquotas elevadas. Essa mudança tende a ampliar a disponibilidade do grão no maior mercado consumidor da bebida. Soma-se a isso o adiamento da entrada em vigor do regulamento europeu voltado a produtos livres de desmatamento para janeiro de 2027, o que reduz a urgência de compras por parte dos importadores do bloco europeu no curto prazo.

Em contrapartida, os estoques globais seguem em níveis historicamente baixos, o que deve limitar movimentos mais acentuados de queda nas cotações. Os volumes armazenados na principal bolsa de referência internacional recuaram de cerca de 1,5 milhão de sacas há quatro anos para aproximadamente 400 mil sacas atualmente. Apesar de indícios de que o consumo possa ter sido parcialmente afetado pelos preços elevados, o café permanece como um produto de difícil substituição. Paralelamente, observa-se expansão do consumo em novos mercados, especialmente na Ásia, com destaque para a China, que vem ganhando relevância crescente como destino das exportações brasileiras de café.

No mercado futuro, os contratos de café arábica passaram por uma forte escalada nos últimos anos, refletindo as frustrações de safra no Brasil. As cotações atingiram níveis recordes em 2025, chegando a superar 400 centavos de dólar por libra-peso, bem acima dos patamares observados no ano anterior. Atualmente, os preços permanecem elevados, embora abaixo dos máximos recentes.

Diante desse contexto, a expectativa predominante é de estabilidade a uma queda limitada dos preços no curto prazo. Movimentos de alta mais intensa dependeriam, sobretudo, de novos eventos climáticos adversos nas principais regiões produtoras. Com o custo do crédito elevado, o comportamento dos compradores tende a permanecer cauteloso, com aquisições mais pontuais, aguardando a confirmação da próxima safra brasileira como principal fator de definição do equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global de café. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.