24/Nov/2025
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) comemorou a retirada da sobretaxa de 40% dos Estados Unidos sobre o café brasileiro. Com isso, será possível reduzir os impactos e buscar ao máximo reconquistar os espaços perdidos nos blends no mercado norte-americano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (20/11), a ampliação da lista de isenções da tarifa de 40% para incluir mais produtos agrícolas do Brasil, em meio aos avanços nas negociações entre os dois países. Na prática, a decisão retira a sobretaxa de itens importantes para o setor exportador do País, como o café e a carne bovina, entre outros produtos, como frutas (abacaxi, açaí, banana), cortes de madeira.
A medida é retroativa, o que significa que estarão isentas todas as mercadorias retiradas de armazéns para consumo a partir de 12h01 (horário de Nova York) de 13 de novembro. Há uma semana, Trump havia retirado a taxa recíproca de 10% sobre produtos agrícolas. Com isso, importantes produtos agrícolas brasileiros ficam isentos de taxas adicionais aos Estados Unidos. O café brasileiro era um dos setores mais afetados pelo tarifaço norte-americano, já que ficou de fora da primeira lista de exceções, de 31 de julho, decretada pelo governo dos Estados Unidos.
Aproximadamente, 16% do café brasileiro é destinado aos Estados Unidos, um dos principais destinos de exportação do grão. Os embarques ao mercado norte-americano reduziram expressivamente desde agosto com a entrada em vigor do tarifaço. O setor cafeeiro nacional temia perda de espaço no mercado norte-americano já que os principais concorrentes do grão brasileiro estavam em condição tarifária mais vantajosa. Agora, o café brasileiro está em pé de igualdade com as demais origens. O Brasil buscou a isonomia com trabalho intenso, nos bastidores, no governo norte-americano e no governo brasileiro, e o resultado veio.
Exportadores nacionais atuaram em articulação com a NCA (Associação Nacional do Café, que representa a indústria cafeeira nos Estados Unidos) para a isenção do produto brasileiro, que representa cerca de 34% de tudo que os Estados Unidos importam anualmente. Os Estados Unidos não são player relevante na produção de café, entretanto, são o maior consumidor global, dependendo de importações para abastecimento do mercado interno. Agora, o momento é de, com a competência e eficiência da cadeia, reconquistar os espaços nos blends.
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) afirmou que celebra a retirada das tarifas totais aos cafés especiais do Brasil a serem importados pelos Estados Unidos. A nova ordem corrige a distorção criada pelas tarifas entre o principal mercado comprador e consumidor de café, os Estados Unidos, e o principal produtor e exportador global, o Brasil. A partir de agora, a tendência é que seja restabelecido o fluxo normal de comércio de cafés especiais entre as nações. Entre agosto e outubro, meses de vigência do tarifaço, os embarques de cafés especiais do Brasil aos Estados Unidos caíram cerca de 55%, saindo de 412 mil sacas de 60 Kg no mesmo período de 2024 para as atuais 190 mil sacas de 60 Kg.
A associação enalteceu, ainda, o trabalho realizado pela cadeia produtiva dos cafés do Brasil, por meio das Associações Brasileiras das Indústrias de Café (Abic) e de Café Solúvel (Abics), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e Conselho Nacional do Café (CNC). Os esforços feitos por todo o staff do governo federal do Brasil também tornaram possível esse desfecho favorável. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.