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24/Nov/2025

Café Solúvel não foi incluído em isenções tarifárias

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informa que o trabalho de representação da entidade continua nas negociações junto ao governo brasileiro e contrapartes dos Estados Unidos, pois o café solúvel não está incluído nas isenções do tarifaço, conforme produtos elencados nos anexos das Ordens Executivas. Na quinta-feira (20/11), o governo dos Estados Unidos reverteu a tarifa de 40% imposta ao café brasileiro, após a modificação da Ordem Executiva 14.323 de 30/07/2025. Com os avanços na relação bilateral e a boa relação entre os negociadores, o Cecafé seguirá atuando com informações estratégicas para buscar a isenção completa de todo o setor diante dos impactos positivos a toda cadeia produtiva brasileira.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil representavam perda total de competitividade ao café brasileiro frente às outras origens. Com o acordo comercial anunciado pelos Estados Unidos com outros países produtores de café, como Vietnã e Indonésia, somado à tarifa de 10% atualmente imposta a nações concorrentes, como Colômbia, Costa Rica, Etiópia, entre outros, o Brasil perdeu participação nos blends das principais empresas globais do mercado norte-americano. Se o tarifaço permanecesse e essa perda de espaço nas tradicionais e conhecidas marcas norte-americanas crescesse, o Brasil levaria anos, décadas ou mesmo seria um cenário irreversível para a recuperação da participação no mercado dos Estados Unidos, isso porque o consumidor passaria a se adaptar aos cafés de outras origens e o Brasil perderia o protagonismo no principal mercado consumidor.

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) lamentou que o café solúvel brasileiro tenha sido mantido na lista de produtos sujeitos à taxa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos em agosto deste ano. As taxas sobre o café solúvel contrastam com o progresso geral nas negociações bilaterais e representam um desafio contínuo para o setor. A manutenção da tarifa sobre o café solúvel segue afetando o setor de forma “severa”. Os embarques de café solúvel do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma redução de mais de 52% em volume desde agosto. Além disso, a entidade reforçou que as taxas inviabilizam a competitividade do produto brasileiro, favorecendo outras origens.

O mercado norte-americano representa cerca de 20% do volume total das exportações brasileiras de solúvel, gerando receitas anuais de aproximadamente US$ 200 milhões. Agora, pela primeira vez, a Rússia assume a posição de principal destino do produto brasileiro. A Abics ainda chamou atenção para o risco iminente de que o café solúvel brasileiro seja permanentemente substituído por produtos de outros destinos nas prateleiras dos supermercados norte-americanos. Uma vez perdida essa fatia de mercado e a lealdade do consumidor, a recuperação futura será uma missão extremamente difícil, com perdas duradouras para toda a cadeia produtiva nacional. A entidade seguirá mobilizada para buscar a isenção completa do café solúvel. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.