31/Oct/2024
Segundo o Rabobank, a melhora das condições climáticas no Brasil e no Vietnã e o possível adiamento da lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) devem limitar os preços do café no curto prazo. Em 2024 até gora, os futuros de arábica acumulam ganho de mais de 30% na Bolsa de Nova York, enquanto os futuros de robusta sobem mais de 66% na Bolsa de Londres. Nas regiões de arábica do Brasil, floradas pontuais ocorreram em setembro, mas a principal florada veio recentemente, com as chuvas de outubro. Chuvas previstas para as próximas semanas devem ajudar na fixação dos frutos. Apesar do clima melhor e da excepcional florada, há cautela quanto ao potencial produtivo do arábica. A manutenção das chuvas será crucial. O longo período quente e seco já reduziu o potencial da próxima safra. Nas áreas de robusta/conilon, o alto percentual de áreas irrigadas ajudou a minimizar os danos.
Além disso, a recente melhora do clima no Vietnã levou o Rabobank a estimar uma produção em 2024/2025 próxima a 28 milhões de sacas de 60 Kg, levemente superior à do ciclo passado. Com o possível adiamento da EUDR, os países produtores terão mais 12 meses para se adequar às novas regras. Neste ano, a expectativa quanto à implementação da lei levou importadores europeus de café a antecipar suas compras para evitar problemas de conformidade em 2025. Somente em 2024, o Brasil exportou 56% a mais para a União Europeia em comparação com 2023. Apesar dos sinais relativamente baixistas no curto prazo, o mercado não pode ignorar os conflitos no Mar Vermelho e as persistentes incertezas sobre as próximas colheitas no Brasil e no Vietnã. Além disso, o balanço global apertado também deve sustentar os preços do café em parte de 2025.
Para o ciclo 2024/2025, a estimativa e de superávit global de apenas 1,6 milhão de sacas de 60 Kg, com um superávit de 2,8 milhões de sacas de 60 Kg de café arábica, mas um déficit de 1,2 milhão de sacas de 60 Kg de café robusta. Os preços na Bolsa de Nova York devem continuar elevados nos próximos meses, entre 220,00 e 245,00 centavos de dólar por libra-peso. Quanto às exportações brasileiras em 2024, a projeção é de 48 milhões de sacas de 60 Kg no total. Para 2025, a previsão é de embarques entre 45 milhões e 47 milhões de toneladas. A estimativa leva em conta uma desaceleração nos embarques ao longo do primeiro semestre do próximo ano, devido à frustração da colheita de 2024/2025. Apesar do bom desempenho, o setor enfrenta desafios logísticos, como atrasos nos portos, mudanças nos horários dos navios e infraestrutura inadequada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.