16/Oct/2026
Em setembro, os preços mundiais do arroz registraram a sexta alta consecutiva, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2025. O movimento ocorreu em praticamente todos os mercados exportadores, com exceção do Vietnã e de Mianmar, onde as cotações recuaram, em média, 2%. Os preços foram sustentados principalmente na Índia, na Tailândia e no Paquistão pela demanda constante de países do Sudeste Asiático, que buscam recompor estoques em antecipação aos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño. No fim de setembro, entretanto, as cotações internacionais começaram a apresentar tendência de baixa, diante da chegada gradual das novas safras asiáticas. As perspectivas de produção permanecem incertas devido à redução e à distribuição irregular das chuvas de monção. A insuficiência de recursos hídricos representa um risco para o plantio e a colheita da segunda safra, prevista para meados de 2027. As projeções para a produção mundial de arroz foram novamente revisadas para baixo, com expectativa de queda de 2,4% em relação à safra 2025/2026. Para o comércio internacional, a estimativa é de contração de 2,2% em 2026, seguida de recuperação de 1,7% em 2027.
Na Índia, os preços do arroz subiram 4% em setembro, alcançando o maior patamar desde maio de 2025. A escassez de chuvas, considerada a mais intensa dos últimos 20 anos, aumentou as preocupações com as próximas safras. As projeções indicam possível redução de 4,5% na produção em comparação com a temporada anterior. Nos primeiros sete meses do ano, as exportações indianas foram estimadas em 13,8 milhões de toneladas, volume 3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em setembro, o arroz branco indiano com 5% de grãos quebrados apresentou preço médio de US$ 378,00 por tonelada FOB, ante US$ 364,00 por tonelada em agosto. O arroz parboilizado também registrou valorização, passando de US$ 370,00 por tonelada para US$ 378,00 por tonelada. Em outubro, as cotações permanecem firmes.
Na Tailândia, os preços avançaram entre 3% e 4% em setembro, refletindo a oferta mais restrita e, sobretudo, a demanda contínua do Sudeste Asiático, especialmente da Malásia e das Filipinas. As novas safras que começam a chegar ao mercado tendem a ser menos afetadas pelo El Niño. As preocupações, contudo, permanecem concentradas na segunda safra, prevista para meados de 2027, devido à escassez de recursos hídricos. Nos primeiros oito meses do ano, as exportações tailandesas alcançaram cerca de 4,5 milhões de toneladas, volume 11% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Em setembro, o arroz tailandês Thai 100% B foi negociado a US$ 479,00 por tonelada, ante US$ 462,00 por tonelada em agosto. O arroz parboilizado subiu de US$ 461,00 por tonelada para US$ 476,00 por tonelada, enquanto o arroz quebrado A1 Super avançou 2%, de US$ 369,00 por tonelada para US$ 376,00 por tonelada. Em outubro, os preços de exportação estão pressionados pela redução da demanda importadora, especialmente das Filipinas.
No Vietnã, os preços de exportação caíram 3% em setembro, na contramão do movimento observado entre os principais concorrentes. As Filipinas, principal mercado comprador do arroz vietnamita, buscam diversificar as fontes de abastecimento, ampliando a procura por fornecedores como Camboja, Tailândia e Paquistão. Nos primeiros oito meses do ano, as exportações vietnamitas somaram aproximadamente 6,1 milhões de toneladas, aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em setembro, o arroz Viet 5% foi cotado a US$ 425,00 por tonelada, ante US$ 438,00 por tonelada em agosto, enquanto o Viet 25% recuou de US$ 410,00 por tonelada para US$ 406,00 por tonelada. Em outubro, os preços apresentam tendência de estabilização.
No Paquistão, os preços do arroz aumentaram entre 4% e 5% em setembro, impulsionados pela demanda importadora do Oriente Médio, especialmente do Irã, e do Sudeste Asiático. Também houve procura expressiva por arroz quebrado por parte da China e da África Ocidental. Apesar desse cenário, as exportações paquistanesas acumulavam redução de apenas 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em setembro, o arroz Pak 5% alcançou US$ 423,00 por tonelada, ante US$ 403,00 por tonelada em agosto. Em outubro, as cotações apresentam tendência de queda.
Nos Estados Unidos, os preços do arroz subiram expressivamente, com valorização de 10% em um mercado ativo. Em setembro, as exportações foram estimadas em 200 mil toneladas, em base beneficiada, ante 155 mil toneladas em agosto. O volume permaneceu estável em relação ao mesmo período do ano anterior. O México continuou como principal destino do arroz norte-americano, absorvendo 20% das exportações, seguido pelo Japão, com 19%, e pelo Haiti, com 11%. Em setembro, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 registrou média de US$ 606,00 por tonelada, contra US$ 551,00 por tonelada em agosto. Em outubro, a cotação permanece firme, em torno de US$ 660,00 por tonelada.
No Mercosul, os preços de exportação avançaram entre 6% e 7% em setembro, em razão da disponibilidade limitada de produto para embarque. A produção brasileira de arroz na safra 2025/2026 é estimada em queda de 13%. Os riscos associados ao El Niño e à possível redução dos rendimentos também podem influenciar as decisões de plantio para a safra 2027/2028, com reflexos potenciais sobre os estoques disponíveis para exportação nos próximos anos. No Brasil, o preço indicativo do arroz em casca subiu 9% em setembro, para US$ 314,00 por tonelada, ante US$ 288,00 por tonelada em agosto. Em outubro, a cotação continua avançando, alcançando US$ 327,00 por tonelada.
Na África Subsaariana, os preços internos do arroz permaneceram relativamente estáveis, sustentados pelas reservas abundantes e pela chegada gradual das novas safras ao mercado. Medidas recentes de restrição às importações e de incentivo à produção local contribuem para estimular os setores nacionais. Entretanto, mesmo com a disponibilidade de arroz produzido na região e a elevação dos preços internacionais, a concorrência do produto importado continua exercendo forte pressão sobre as cotações locais, especialmente nos mercados urbanos. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.