16/Oct/2026
A produção mundial de arroz em 2025 foi estimada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 852,7 milhões de toneladas (566,1 milhões de toneladas em base beneficiada), aumento de 2,3% em relação às 833,8 milhões de toneladas registradas em 2024. O volume representa um recorde histórico e reflete o desempenho favorável das safras asiáticas pelo terceiro ano consecutivo. Índia, Bangladesh, Indonésia e China foram os principais responsáveis pela expansão da produção global, embora o ritmo de crescimento tenha variado entre os países. Na Índia, a produção aumentou 1,7%, apesar das condições climáticas contrastantes. Bangladesh e Indonésia também registraram expansão, favorecida pelo aumento das áreas cultivadas. Na China, a produção avançou 0,6%, contribuindo para o resultado global. Em contrapartida, a produção diminuiu na África Subsaariana e nos Estados Unidos, onde enchentes nas regiões produtoras do sul prejudicaram as lavouras.
No Mercosul, após a recuperação observada na safra anterior, houve retração da produção, especialmente no Brasil. Para a safra 2026/2027, a FAO projeta redução de 2,4% na produção mundial, para 832,2 milhões de toneladas em base casca, volume inferior ao registrado em 2024. A queda esperada está associada principalmente à seca nas regiões produtoras da Ásia, em um cenário de retorno do El Niño, descrito nas estimativas como um episódio de intensidade excepcional. A perspectiva de menor produção interrompe a sequência de expansão observada nos três anos anteriores e poderá alterar o equilíbrio entre oferta, consumo e estoques globais. O comércio mundial de arroz totalizou 61,6 milhões de toneladas em 2025, aumento de 2,5% em relação às 60,1 milhões de toneladas movimentadas em 2024. O desempenho ocorreu apesar da contração da demanda no Sudeste Asiático, especialmente na Indonésia, que praticamente se ausentou do mercado importador em 2025, diferentemente do ano anterior.
Nas Filipinas, as importações diminuíram 35%, após a suspensão das compras externas durante o último trimestre de 2025. Em sentido oposto, as importações chinesas aumentaram 75%, estimuladas pelos preços internacionais mais baixos. O principal impulso ao comércio global, entretanto, veio da África, maior polo importador mundial de arroz, onde as compras externas cresceram 12% em comparação com 2024. Para 2026, as estimativas foram novamente revisadas para baixo, com previsão de contração de 2,2% no comércio mundial, para 60,2 milhões de toneladas. Os estoques mundiais de arroz encerraram 2025 em 212,1 milhões de toneladas, crescimento de 5,8% ante as 200,5 milhões de toneladas de 2024. Na China, as reservas aumentaram 1%, para 102 milhões de toneladas. O país concentra quase metade dos estoques globais, volume equivalente a aproximadamente 70% de seu consumo interno. Na Índia, as reservas cresceram 10% em relação à safra anterior, impulsionadas pelo novo aumento da produção. Os estoques dos principais países exportadores somaram 74 milhões de toneladas em 2025, correspondentes a quase 35% das reservas mundiais.
Para 2026, as estimativas apontam novo crescimento de 5,7% dos estoques globais, para o recorde de 224,2 milhões de toneladas. Esse volume equivale a aproximadamente 40% do consumo mundial de arroz, ou quase cinco meses de consumo. A elevação das reservas oferece uma margem de segurança para o abastecimento internacional, mesmo diante das incertezas relacionadas à produção da próxima safra. As primeiras projeções para 2027, contudo, indicam redução de 2,7% dos estoques mundiais, para 216,9 milhões de toneladas. A queda prevista considera a retração da produção global na safra 2026/2027. Dessa forma, embora os estoques elevados possam amortecer inicialmente os efeitos de uma menor colheita, a combinação entre redução da oferta e contração das reservas poderá modificar as condições de equilíbrio do mercado internacional de arroz nos próximos ciclos. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.