13/Oct/2026
A Camil Alimentos registrou lucro líquido de R$ 41,3 milhões no segundo trimestre fiscal de 2026, encerrado em agosto. O resultado representa uma queda de 47,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a empresa havia obtido lucro líquido de R$ 78,7 milhões. O lucro líquido por ação ficou em R$ 0,12 no trimestre. A receita líquida recuou 7,2% na comparação anual, passando de R$ 2,98 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2025 para aproximadamente R$ 2,8 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2026. A receita bruta atingiu R$ 3,2 bilhões, com retração de 6,1% na comparação anual. Em relatório, a Camil informou que o resultado foi afetado pela compressão nos preços médios realizados no segmento internacional, efeito que foi parcialmente compensado pelo crescimento de volume na categoria de alto valor no Brasil. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado somou R$ 225,3 milhões no segundo trimestre fiscal de 2026, queda de 10,1% ante os R$ 250,6 milhões reportados no segundo trimestre fiscal do ano passado.
A margem Ebitda caiu 0,3% na comparação anual, para 8,2%. Sequencialmente, contudo, o Ebitda avançou 7,3% frente ao primeiro semestre fiscal de 2026. O lucro bruto totalizou R$ 681,9 milhões, com expansão de 1,2% ante o segundo trimestre fiscal de 2025, acompanhado por uma elevação de 2,1% na margem bruta, que alcançou 24,7%. O custo das vendas recuou 9,7%, para R$ 2,1 bilhões, impulsionado pela redução de volumes consolidados e queda nos preços da operação internacional. As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) cresceram 8,9% na comparação anual, para R$ 542,1 milhões (19,6% da receita líquida), puxadas pelo mercado doméstico, que cresceu 19,5%, para R$ 394,3 milhões, enquanto o SG&A internacional caiu 12,1%, para R$ 147,8 milhões. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 127,6 milhões, representando uma melhora de 9,9% na despesa financeira em relação ao segundo trimestre fiscal de 2025.
Segundo comunicado da Camil, a variação anual reflete um impacto positivo não recorrente de R$ 21 milhões decorrente da liquidação de derivativos de açúcar, o qual compensou parcialmente o aumento das despesas com juros de financiamentos e atualizações monetárias judiciais. No desempenho operacional, o volume consolidado vendido somou 604,7 mil toneladas, recuo de 4,6% ante as 634,2 mil toneladas do segundo trimestre fiscal de 2025. No Brasil, as vendas somaram 387,5 mil toneladas, recuo de 2,5% na comparação anual. Dentro do mercado doméstico, o segmento de alto giro (grãos e açúcar) somou 335,9 mil toneladas, queda de 4,6% ante o segundo trimestre de 2025, decorrente da normalização dos volumes de açúcar frente a uma base comparativa elevada do 2tri25 que contou com exportações pontuais da categoria. A linha de grãos apresentou crescimento no período. O preço médio líquido do alto giro subiu 10% na comparação anual, para R$ 3,89/kg. Por outro lado, o segmento de alto valor (pescados, massas, café e biscoitos) cresceu 14,1% em volume no segundo trimestre de 2026 na comparação com o segundo trimestre de 2025, atingindo 51,6 mil toneladas, com avanços em todas as categorias e destaques para café e pescados.
O preço médio líquido de alto valor avançou 20% na comparação anual, para R$ 18,75/kg. No mercado internacional (Uruguai, Chile, Peru, Equador e Paraguai), o volume de vendas caiu 8,3% no segundo trimestre de 2026, para 217,1 mil toneladas, refletindo menores volumes no Uruguai. Além disso, a operação enfrentou a retração de 18,3% no preço líquido médio, que totalizou R$ 3,15/kg, consequência dos preços menores de arroz na América Latina. O efeito de preços foi parcialmente amortecido pela expansão de volumes no Chile, Peru e Equador. No comunicado do relatório de administração, o diretor-presidente Luciano Quartiero e o diretor financeiro e de Relações com Investidores Flavio Vargas destacaram o ganho de margem bruta e a força do segmento de alto valor. "O segundo trimestre ainda foi marcado por patamares reduzidos de preços de matérias-primas no Brasil, com sinais iniciais de retomada nos preços, principalmente de arroz, ao final do período, tanto no mercado doméstico, quanto na América Latina", pontuaram os executivos.
A rentabilidade das operações internacionais da Camil Alimentos deve se recuperar no próximo trimestre fiscal de 2026 (setembro a novembro) e ficar “levemente acima dos níveis históricos”, impulsionada pela reação dos preços do arroz a partir de setembro, afirmou o CEO da companhia, Luciano Quartiero. O executivo disse que a empresa pretende reduzir a alavancagem financeira abaixo de 2,5 vezes antes de voltar a avaliar, de forma mais ativa, novos projetos de expansão. No segundo trimestre fiscal de 2026, encerrado em agosto, a margem Ebitda do segmento internacional foi de 7,5%, ainda pressionada pela queda das commodities na primeira metade do ano. “O segmento internacional foi impactado, assim como as operações brasileiras, pelos preços em queda no primeiro trimestre. A recuperação de preço começou a aparecer em setembro, então a nossa expectativa é que esse efeito positivo de melhores preços também aconteça nos países”, afirmou Quartiero.
O CEO disse que a alta do arroz no mercado externo tende a acelerar a recuperação operacional no Peru, onde a companhia vem conduzindo reestruturação. “Nossa operação no Peru vinha com uma rentabilidade baixa nos últimos anos. A gente tem feito um plano de ação de recuperação muito importante e a margem vem melhorando ao longo do tempo. Com a alta do preço, isso tende a acelerar um pouco esse processo”, explicou. Sobre a estrutura de capital, Quartiero disse que, após a alavancagem encerrar o segundo trimestre fiscal em 4,7 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, a companhia trabalha com quatro vetores para acelerar a desalavancagem orgânica nos próximos trimestres: menor nível de investimentos (capex), perspectiva de queda de juros, melhora do resultado operacional com maior geração de caixa e alienação de ativos não essenciais. “Concluímos os grandes projetos, principalmente a nossa planta nova em Cambáí e a expansão nas fábricas de diferentes categorias. De fato, teremos capex menor neste ano e no próximo ano, o que deixa mais caixa disponível para desalavancagem”, afirmou. Fonte: Broadcast Agro.