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08/Oct/2026

Etanol de Arroz: Rio Grande negocia fábrica de R$ 1 bi

Rio Grande, no Rio Grande do Sul, negocia a instalação de uma indústria voltada à transformação de arroz em etanol, com investimento estimado em R$ 1 bilhão. A planta poderá ser instalada no Distrito Industrial do município, em uma área de aproximadamente 48 hectares, com localização estratégica para o recebimento de matéria-prima e o escoamento da produção pelo porto de Rio Grande. O projeto ainda está em fase de apresentação de garantias bancárias para viabilizar a instalação. A fábrica é majoritariamente brasileira, embora a empresa responsável seja de fora do Rio Grande do Sul. A implantação em Rio Grande cria potencial para integração com a produção de arroz da Zona Sul do Estado, especialmente de municípios da região de Pelotas, ampliando a possibilidade de direcionamento do cereal para uma cadeia industrial de maior valor agregado. A proximidade com a estrutura portuária também favorece tanto a entrada de matéria-prima quanto a distribuição do etanol e de eventuais coprodutos.

O projeto ganha relevância diante da baixa participação atual do Rio Grande do Sul na produção de etanol. Os novos investimentos no Estado têm se concentrado principalmente em cereais de inverno, como trigo e aveia, enquanto o arroz permanece como matéria-prima ainda pouco explorada na produção de biocombustíveis. A diversificação da base de matérias-primas pode ampliar a oferta regional de etanol e reduzir a dependência de produtos provenientes de outros Estados. O aproveitamento do arroz e de seus resíduos para a produção de etanol vem sendo discutido como alternativa para ampliar os destinos comerciais da orizicultura gaúcha. O potencial energético e econômico dessa cadeia foi destacado durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada em fevereiro, no Capão do Leão. O tema também foi tratado na Câmara Setorial Nacional do Arroz, diante do desafio de ampliar os mercados para o cereal.

A necessidade de diversificação é relevante porque o aumento da produtividade agrícola, sem expansão proporcional dos mercados, pode reduzir a área destinada ao cultivo de arroz. Nesse contexto, a transformação do cereal em biocombustível cria uma alternativa adicional de demanda, complementando o consumo alimentar e podendo contribuir para maior equilíbrio entre oferta e demanda ao longo dos ciclos de produção. A utilização do arroz na produção de etanol também se insere em um movimento mais amplo de expansão da bioenergia no Rio Grande do Sul. Projetos em implantação no Estado avaliam diferentes culturas amiláceas como matérias-primas, incluindo arroz, sorgo granífero, triticale e batata-doce, com possibilidades de produção de etanol e outros biocombustíveis. Uma iniciativa em Charqueadas, por exemplo, prevê uma biorrefinaria com capacidade projetada de 635 milhões de litros de etanol por ano, além de hidrogênio verde, combustível sustentável de aviação e coprodutos.

Para a cadeia orizícola, a consolidação de uma indústria de etanol em Rio Grande poderá representar uma nova frente de comercialização em uma região de elevada concentração da produção estadual. Além de ampliar a demanda pelo cereal, a industrialização local tende a agregar valor à matéria-prima, estimular investimentos em logística e armazenagem e fortalecer a integração entre produção agrícola, indústria de biocombustíveis e infraestrutura portuária. A localização próxima ao porto também amplia a capacidade de inserção do projeto em mercados externos, caso a produção seja direcionada parcialmente à exportação. O investimento de R$ 1 bilhão, se confirmado, reforça a tendência de expansão da bioeconomia gaúcha e cria uma alternativa para ampliar a participação do arroz na matriz energética, reduzindo a concentração da demanda exclusivamente no mercado de alimentos. Fonte: A Hora do Sul. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.