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23/Sep/2026

Multinacionais ganham espaço no varejo brasileiro

Grupos de varejo de capital internacional vêm apresentando desempenho mais resiliente diante da desaceleração do consumo no Brasil, enquanto redes nacionais registram menor crescimento e, em alguns casos, enfrentam processos de recuperação judicial ou extrajudicial. O movimento evidencia diferenças na capacidade de enfrentar um ambiente marcado por juros elevados, endividamento das famílias e maior competição. No atacarejo e no varejo alimentar, o Carrefour registrou vendas mesmas lojas praticamente estáveis no primeiro semestre, com variação de -0,1%, enquanto o lucro operacional apresentou leve alta. No mesmo período, o Grupo Mateus teve queda de 7,7% nas vendas mesmas lojas e recuo de 22,3% no lucro operacional, indicando maior pressão sobre os resultados da companhia em um cenário de consumo mais fraco.

No varejo de proximidade, a diferença de desempenho também foi observada entre empresas de capital estrangeiro e nacional. A Oxxo, controlada pela mexicana Femsa, registrou crescimento de 6,9% no primeiro trimestre e de 11,6% no segundo trimestre. O desempenho ficou acima do apresentado pelo segmento do GPA, cujas vendas avançaram 0,3% no primeiro trimestre e recuaram 2,3% no segundo, em meio ao processo de recuperação extrajudicial da companhia. A maior capacidade de resistência das multinacionais está associada, entre outros fatores, ao acesso a dados, sistemas de gestão, tecnologias e capital disponibilizados pelas matrizes internacionais. Esses recursos podem ampliar a capacidade de adaptação operacional e financeira durante períodos de menor crescimento, além de facilitar investimentos em eficiência, logística e expansão.

Para as empresas nacionais, o ambiente combina desaceleração do consumo, juros elevados, maior endividamento e intensificação da concorrência. A combinação desses fatores pressiona margens e fluxo de caixa, aumentando a necessidade de reestruturação financeira em companhias com menor capacidade de acesso a capital ou maior alavancagem. O cenário reforça a ampliação da presença e da participação competitiva de redes estrangeiras no varejo brasileiro. A diferença de desempenho observada entre grupos internacionais e nacionais, contudo, varia conforme o segmento, o modelo de negócio, a estrutura financeira e a exposição de cada empresa às condições de consumo e crédito. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.