21/Sep/2026
O Google fechou com a Terradot seu maior acordo de remoção de carbono até o momento, com um projeto que prevê a aplicação de práticas de manejo e tecnologias de remoção de CO₂ em mais de 200 mil hectares de lavouras de arroz no Sul do Brasil, inicialmente no Rio Grande do Sul. A iniciativa combina a redução de emissões de metano dos arrozais com a aplicação de rochas vulcânicas trituradas para acelerar a remoção de dióxido de carbono da atmosfera. O acordo prevê impacto equivalente à redução de 1 milhão de toneladas de CO₂e por meio da redução de metano até 2030. Em uma segunda etapa, a meta contempla mais 1 milhão de toneladas de impacto associadas à remoção de carbono até 2040. Segundo o Google, trata-se da maior compra de remoção de carbono já anunciada pela companhia. A Terradot considera o projeto o maior empreendimento de intemperismo acelerado de rochas já realizado no mundo. A primeira frente do projeto está relacionada ao manejo da irrigação das lavouras de arroz.
Como os produtores mantêm os campos inundados durante parte relevante do ciclo, o ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio favorece a decomposição da matéria orgânica e a geração de metano. Para reduzir essas emissões, os produtores deverão adotar o sistema de molhamento e secagem alternados, conhecido como AWD, que substitui a inundação contínua por períodos alternados de irrigação e drenagem. A alteração do regime hídrico modifica as condições do solo e pode reduzir a emissão de metano. O manejo também tem potencial para diminuir o consumo de água e alguns custos de produção, embora os resultados dependam das características das áreas e das práticas utilizadas em cada propriedade. A segunda frente envolve a aplicação de rochas vulcânicas trituradas nas mesmas áreas agrícolas. A técnica busca acelerar um processo natural de remoção de carbono conhecido como intemperismo de rochas. Quando determinados minerais entram em contato com água e dióxido de carbono, ocorrem reações químicas que contribuem para a retirada de CO₂ da atmosfera.
A tecnologia é conhecida internacionalmente como ERW, sigla para enhanced rock weathering, ou intemperismo acelerado de rochas. A combinação das duas tecnologias estabelece horizontes diferentes para o impacto climático. A mudança no manejo das lavouras busca reduzir as emissões de metano no curto prazo, enquanto o intemperismo acelerado promove a remoção de carbono ao longo de período mais prolongado. A estratégia também amplia o uso potencial das áreas agrícolas para iniciativas de mitigação climática. A conexão do projeto com a inteligência artificial está relacionada ao aumento dos investimentos em data centers e à consequente expansão da demanda por eletricidade. O crescimento dos serviços digitais e da infraestrutura necessária para processamento de IA amplia o desafio das empresas de tecnologia para reduzir emissões e cumprir metas climáticas. Nesse contexto, o Google vem combinando investimentos em energia limpa, eficiência dos equipamentos, redução das próprias emissões e tecnologias de remoção de carbono.
A iniciativa com a Terradot integra essa estratégia climática mais ampla e não se limita à compensação direta das emissões associadas à expansão da inteligência artificial. A redução de superpoluentes, como o metano, permite antecipar parte dos efeitos climáticos do projeto para 2030, enquanto a remoção de CO₂ amplia o impacto em prazo mais longo. A escala da iniciativa também transforma o Brasil em área de referência para o desenvolvimento da tecnologia. O projeto deverá alcançar mais de 200 mil hectares de arroz e poderá posteriormente avançar para outras regiões produtoras. As condições de clima quente e úmido podem favorecer a velocidade do intemperismo, enquanto a proximidade entre fontes de basalto e áreas agrícolas tende a reduzir as distâncias de transporte das rochas utilizadas no processo. Além da aplicação comercial das tecnologias, o projeto terá uma frente de pesquisa e desenvolvimento. O Google financiará estudos da Terradot e do laboratório de Biogeoquímica de Solos e Meio Ambiente da Stanford Doerr School, com previsão de publicação dos resultados.
A iniciativa busca ampliar a validação científica das técnicas e avaliar a possibilidade de replicação do modelo em maior escala. Para os produtores, os efeitos potenciais ultrapassam a contabilização de carbono. O manejo de molhamento e secagem alternados pode reduzir o consumo de água, enquanto a aplicação de rochas trituradas poderá produzir efeitos sobre as características e a saúde dos solos. A efetividade econômica e agronômica dessas práticas, contudo, dependerá dos resultados obtidos nas áreas brasileiras e da capacidade de implementação em larga escala. O projeto coloca as lavouras de arroz da Região Sul do Brasil no centro de uma iniciativa que combina agricultura, remoção de carbono, manejo hídrico, pesquisa científica e expansão da infraestrutura digital. A confirmação da viabilidade técnica, ambiental e econômica poderá determinar o potencial de replicação do modelo em outras regiões produtoras. Fonte: Agro em Campo. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.